- Cabines com piloto único são estudadas para enfrentar escassez de pessoal e custos, mas enfrentam questões de segurança, fadiga, manutenção e confiança do público.
- Em 2025, a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) concluiu que a tecnologia atual não garante o mesmo nível de segurança de duas pessoas na cabine.
- O tema ganhou impulso no início dos anos dois mil, com planos da Airbus e de outras fabricantes, e com testes realizados por companhias como Lufthansa e iniciativas como o Project Connect.
- A ideia enfrenta resistência de pilotos, sindicatos e autoridades, que apontam risco maior de erro e dependência de sistemas externos para emergências.
- O foco atual é desenvolver cockpits inteligentes e tecnologias certificáveis, mantendo dois pilotos na cabine durante a transição e estudando a viabilidade regulatória para operações com piloto único no cruzeiro, até cerca de 2030.
A ideia de aeronaves comerciais com piloto único ganha espaço, mas esbarra em questões de segurança, fadiga, manutenção e confiança do público. Estuda-se a viabilidade desde os anos 2010, com avanços tecnológicos que poderiam tornar o conceito viável em determinadas fases do voo.
A pesquisa da Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) indica que, em termos de segurança, a tecnologia atual não garante o mesmo nível de proteção de uma tripulação com dois pilotos. O tema envolve regulações, treinamento e confiabilidade de sistemas.
Cabines com piloto único ganharam tração no início dos anos 2020, após pedidos de revisão regulatória feitos pela Airbus e Dassault. Em 2021, a Airbus indicou que a tecnologia estaria pronta em algumas aeronaves até 2025, com planos de adoção gradual no setor.
Um grupo de trabalho da Reuters informou que a Airbus criou o Project Connect com a Cathay Pacific para voos de longo alcance com piloto único na maior parte do tempo até 2025. A Lufthansa também testou, mas sem planos de implantação anunciados.
A EASA montou um grupo de avaliação de riscos para definir regras sobre fadiga, pausas e backup. Em 2025, a conclusão foi de que não há garantia de equivalência de segurança com uma tripulação reduzida.
Defensores apontam que há longos períodos de cruzeiro em que pouco ocorre na cabine, e que reduzir custos é atrativo para as companhias. Também citam avanços históricos de automação e a pandemia, que ampliou a escassez de pilotos.
Críticos alertam que a operação com apenas um piloto exigiria apoio externo robusto, ainda não disponível, para emergências. Sindicatos e pilotos destacam riscos de erro acumulado e maior carga de trabalho para o único profissional.
O comissariado Tony Lucas, ex-líder da Qantas e da Australian & International Pilots Association, disse que crises costumam se manifestar rapidamente quando não há redundância. O setor ressalta a necessidade de provas de confiabilidade.
Segundo a Airport Technology, a tecnologia atual não substitui a necessidade de um piloto certificados capaz de assumir o comando imediato. A mudança também poderia reduzir oportunidades de aprendizado para pilotos mais jovens.
Há resistência entre passageiros, que costumam rejeitar voos com piloto único. Estudos mostram que a confiança do público é um entrave significativo para qualquer implantação.
Onde a ideia está agora?
A European Cockpit Association (ECA), que representa 40 mil pilotos, afirmou em 2025 que a batalha pela operação com piloto único ainda está em curso, mesmo com avanços de segurança. O grupo planeja avanços graduais.
O Plano Europeu para a Segurança da Aviação ainda contempla operações com piloto único durante o cruzeiro, chamado eMCO, mas condiciona a implementação a melhorias tecnológicas e regulatórias. A previsão é de maior diálogo com autoridades até o fim da década.
A Tarefa de Regulação (RMT.0739) mudou o foco de um piloto completo para apenas um durante o cruzeiro. A ideia é certificar a tecnologia e manter dois pilotos na cabine até que os sistemas sejam plenamente confiáveis.
A estratégia atual prioriza “cockpits inteligentes”: tecnologias certificadas, com dois pilotos presentes para coletar dados. Somente quando a segurança for verificada é que cabines com piloto único poderiam se aproximar da prática real.
O objetivo técnico é que, antes de qualquer mudança, haja substituição do papel do piloto por tecnologia certificada. A aceitação pública seria o passo final e, hoje, permanece como desafio relevante para a indústria.
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