- A exposição Diary of a Fly, de Ryan Preciado, está em Hollyhock House, em Los Angeles, com esculturas de aço de alto brilho, têxteis e móveis em estilo Memphis dialogando com a obra modernista de Frank Lloyd Wright.
- As obras convivem com a interioridade do edifício, sendo absorvidas pela jogabilidade de luz e sombra, mantendo a ideia de uma construção em colaboração com o espaço.
- Preciado já teve mostra individual institucional no Palm Springs Art Museum em 2024, e participou do Made in L.A. no Hammer Museum em 2023; já apresentou trabalhos em LA e em Nova York.
- O artista chama suas peças de “esculturas inseguras”, porque precisam ser úteis e funcionais, incluindo mobiliário para tornar a experiência menos intimidante para o público.
- Entre as peças, o destaque é Eight Different Ways, no pátio, inspirado em um encontro com um jovem na construção e em formas de Lucio Fontana; a mostra inclui pinturas de Matt Connors e uma partitura do compositor Spencer Gerhardt, além de têxteis desenvolvidos com uma família de Oaxaca.
Ryan Preciado inaugura a exposição Diary of a Fly na Hollyhock House, obra de Frank Lloyd Wright situada em East Hollywood, Los Angeles. A mostra reúne esculturas de aço de alto brilho, tapeçarias e mobiliário inspirado no design Memphis, integrados à arquitetura modernista do edifício.
As peças dialogam com a luminosidade e as sombras do espaço, reinterpretando o encontro entre obra e ambiente como uma colaboração entre artista e casa histórica, patrimônio da UNESCO.
Preciado trabalha com carpintaria e escultura, e costuma apresentar o conceito de “esculturas inseguras”: objetos que precisam ser úteis para existir como esculturas. A incorporação de mobiliário na mostra busca desarmar o visitante, especialmente jovens que entram pela primeira vez em uma galeria. Com o tempo, o artista afirma que a funcionalidade tende a diminuir, sem abandonar ambas as frentes.
O eixo da exposição é a relação entre objetos funcionais e estéticos, algo que o artista descreve como contínuo entre a prática artesanal e a instalação. O espaço expositivo recebeu também intervenções de outras áreas, como pinturas de Matt Connors e uma trilha musical de Spencer Gerhardt, ampliando o campo de leitura da mostra.
Entre as obras, destaca-se uma peça circular no pátio, com formas amarelas e geométricas identificadas pelo artista como o “motor” da mostra. A origem dessas formas remete a um encontro com um jovem operador de uma cerca de proteção durante uma visita a um canteiro de obras, que motivou o título Eight Different Ways, inspirado pela ideia de cortes em várias direções.
O artista explica que a vida cotidiana inspira grande parte de seu trabalho, com fontes que vão desde deslocamentos entre ateliês e oficinas até trajetos pela cidade de Los Angeles. A prática também valoriza a colaboração, trazendo colegas para compor a exposição, prática aprendida em suas raízes em ambientes colaborativos.
Sobre o uso de têxteis, Preciado relata que a ideia surgiu a partir de desenhos que funcionaram como notas de campo para Eight Different Ways. Veio então a parceria com uma família de Oaxaca, que ensinou o processo de tingimento e o manejo do tear, permitindo que o trabalho têxtil dialogasse com as esculturas na mostra.
Preciado comenta ainda que a casa absorveu as cores de forma surpreendente, sem parecer hostil. O impacto da Hollyhock House, segundo ele, tornou a exposição especialmente bonita. O artista avisa que pretende seguir explorando linguagens distintas em futuras mostras, mantendo o diálogo entre objetos utilitários e objetos puramente formais.
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