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Bienal de Cuenca 17ª edição, tema lúdico com tom sério no Equador

Bienal de Cuenca abre em meio a tensões políticas, destacando artistas do sul global e saberes indígenas, com 51 artistas em exibição

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
The 17th Bienal de Cuenca was inaugurated by an Andean ritual led by the Ecuadorian artist Carmen Vicente Photo: Mateo Game, courtesy Bienal de Cuenca
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  • A 17ª Bienal de Cuenca, intitulada The Game, abriu em 24 de outubro para marcar os 40 anos do evento, em Cuenca, no Equador, situando-se a mais de dois mil metros de altitude.
  • O foco é no Global Sul, destacando questões sociais e políticas da região; reúne 51 artistas em mostra distribuída por vários espaços, com 17 curadores e cada um selecionando três artistas (pelo menos um de origem equatoriana).
  • Destaques incluem o labirinto de 26.000 caranguejos de resina de Darwin Guerrero, um vídeo de Francis Alÿs e desenhos de carvão com fios de prata de Ana Gallardo, com textos de sicarios; há também uma cerimônia de abertura ligada ao conhecimento indígena.
  • O grupo curatorial é composto por Gerardo Mosquera, Virginia Roy e Justo Pastor Mellado; Mosquera foi premiado como Melhor Equipe Curatorial pela exposição La Noche Bella no Deja Dormir.
  • O contexto foi de instabilidade política, com o presidente Daniel Noboa decretando estado de emergência em várias províncias, encerrado dois dias antes da abertura; a organização enfrentou críticas pela logística, falta de mapas e site desatualizado, além de relatos de curto tempo para interação entre curadores e artistas.

Aos 40 anos, a 17ª Bienal de Cuenca, intitulada The Game, abriu no dia 24 de outubro. A cerimônia coincidiu com a feira Art Basel Paris, do outro lado do oceano, oferecendo um contraponto. O evento destaca artistas e curadores do Sul Global, priorizando questões sociais e políticas locais em detrimento de estratégias de mercado.

A Bienal ocorre em Cuenca, segunda maior cidade do Equador, cuja área central é Patrimônio Mundial da UNESCO. A sede fica em meio à cordilheira de El Cajas, a mais de 2 mil metros de altitude. A edição é promovida pela prefeitura, que destina cerca de US$ 500 mil, com aproximadamente um terço para operações e equipe.

Desde 1987, Cuenca mantém a bienal como principal evento de arte internacional do país. Em 2023, o prefeito nomeou Hernán Pacurucu como diretor executivo da Cuenca Biennial Foundation, ampliando programas de acesso público e circulação de arte pelo país, incluindo ações educativas para crianças e grupos escolares.

Contexto cultural e cenário político

Este ano, Guayaquil surge como novo polo de arte contemporânea no país, com o imminente Eacheve Foundation Museum (ocorre em 2026) e Quito Design Week ganhando projeção internacional. No entanto, o ambiente político é instável, após protestos da Confederación de Nacionalidades Indígenas do Equador.

O governo anunciou estado de emergência em várias províncias, restringindo atividades públicas. Os distúrbios terminaram em 22 de outubro, dois dias antes da abertura da Bienal, que manteve o foco em diálogo entre saberes indígenas e práticas artísticas contemporâneas.

Destaques da programação

A curadoria reuniu 17 curadores internacionais, cada um escolhendo três artistas, ao menos um do Equador. Obras de 51 artistas estão em espaços diversos, como museus, jardins, aeroporto, conventos coloniais e galerias municipais.

Entre as ações, a obra Infinite Steps de Carmen Vicente, curadoria de Amy Rosenblum Martín, recebeu o prêmio de aquisição. A instalação mistura bengalas, sapatos e figuras de pano, tratando dor causada pela Covid-19 como memorial coletivo de indígenas no país.

A curadoria de Roy aborda o tema lúdico como força política, apresentando um labirinto com 26 mil caranguejos de resina criados por Darwin Guerrero. O conjunto inclui ainda vídeo de Francis Alÿs e desenhos em carvão com fios de prata de Ana Gallardo, com textos atribuídos a sicarios.

Desafios e perspectivas

Curadores atuaram como participantes ativos, com diversas tonalidades nas obras. Mosquera, Roy e Mellado apresentaram peças que abordam morte, memória, identidades e deslocamentos, conectando questões sociais a práticas estéticas. O projeto de Mellado explora o tema de viver entre fronteiras e estados de consciência.

Apesar da qualidade do acervo, o evento enfrentou problemas logísticos, ausência de mapas e site desatualizado, dificultando a navegação. Durante a abertura, curadores realizaram um desvio para Loja, reduzindo o tempo de vista a várias atrações. Espera-se melhoria na próxima edição para ampliar diálogo crítico.

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