- Quatro artistas de Los Angeles perderam casa e, em alguns casos, estúdio e arquivo nos incêndios de Eaton e Palisades em janeiro de 2025, e já retornaram ao trabalho ao longo do ano seguinte.
- Kelly Akashi recuperou parte de obras no estúdio e abriu exposição em fevereiro de 2025 na galeria Lisson; participa da Bienal de Whitney em 2026, com uma reinterpretação de sua chaminé em vidro e argamassa.
- Adam Ross perdeu cinco mil obras e salvou onze pinturas durante a fuga; hoje trabalha em um estúdio alugado após morar em Pasadena, enquanto envolve-se em processo judicial com a concessionária de energia, ligada a acusações de incêndio acidental.
- Christina Quarles prepara sua primeira mostra com Hauser & Wirth, com obras que refletem a experiência do fogo; investiga uso de carvão como material relacionado ao incêndio e menciona novas normas de construção mais resistentes ao fogo.
- Kathryn Andrews, que perdeu o lar no Palisades, mudou-se para West Los Angeles; criou a Grief and Hope, ONG que já levantou cerca de 1,74 milhão de dólares para quase trezentas pessoas ligadas ao impacto dos incêndios.
A um ano dos incêndios de Eaton e Palisades, quatro artistas de Los Angeles falam sobre perdas, retomada do trabalho e planos para o futuro. Eles perderam moradia, ateliês e parte de seus arquivos, mas voltaram a criar.
Kelly Akashi, Christina Quarles, Adam Ross e Kathryn Andrews vivem em Altadena e no Pacífico Palisades, áreas atingidas com intensidade. A reconstrução envolve desde estúdios até seguros insatisfatórios e custos não cobertos.
Akashi perdeu casa e estúdio no Eaton. Mesmo assim, conseguiu montar a mostra em tempo na Lisson Gallery, com obras recuperadas entre cinzas. Em 2026, participa da Bienal de Whitney, em Nova York.
Ela criou peças com vidro e bronze que integram a narrativa do incêndio, além de trabalhar em diferentes espaços até consolidar um novo estúdio em San Gabriel. A reconstrução financeira também avançou lentamente.
Retomada da prática e desafios financeiros
Ross perdeu cerca de 5 mil obras, seu arquivo quase completo. Salvou 11 pinturas, voltou a trabalhar em um novo estúdio e vive em Pasadena, com aluguel coberto pelo seguro por alguns meses. O processo de reconstrução segue lento.
O casal, Ross e Caitlin Ross, enfrenta planos de mudança adiados por gestão de propriedade e uma ação judicial com a Edison, ligada ao possível papel de falhas nas linhas elétricas no incêndio.
Quarles prepara a primeira exposição com Hauser & Wirth, que ficou sem data na temporada anterior. A mostra The Ground Glows Black traz trabalhos que refletem o fogo, incluindo desenhos em carvão.
Antes do Eaton, Quarles já vivia com incêndio anterior e precisou lidar com danos em pinturas durante a saída apressada da residência. A assistência federal ajudou na limpeza de solo da propriedade, mas não fora dela.
Grief and Hope e apoio da comunidade artística
Andrews mudou-se para West Los Angeles, mantendo estúdio no centro da cidade, ainda intacto. Ela cofundou a Grief and Hope, ONG que já angariou 1,74 milhão de dólares para quase 300 pessoas afetadas.
Além de artistas, a parceria também ajudou assistentes, manipuladores de arte e educadores, reconhecendo o papel de quem sustenta o ecossistema criativo. A iniciativa segue buscando apoio contínuo.
Os quatro criadores destacam a busca por materiais mais resistentes a incêndios e a aderência a códigos de construção atualizados, sinalizando uma nova fase na prática artística local.
A soma dos relatos mostra resistência, adaptação e uma recuperação que persiste, com prazos e incertezas, mas com foco claro na produção artística e no cuidado comunitário.
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