- Pesquisas apontam que o milho na região de Chincha, no Peru, apresentava níveis de nitrogênio acima do esperado, compatíveis com o uso de guano de aves marinhas locais.
- O guano fertilizou as plantações de milho, contribuindo para o crescimento da civilização de Chincha, que chegou a cerca de cem mil habitantes.
- A época de maior uso do guano ocorreu por volta de AD mil duzentos e cinquenta, período em que o reino de Chincha ficou mais influente e, mais tarde, passou a ficar sob controle do Império Inca.
- Quando os incas controlaram os depósitos de guano, proibiram a caça de aves durante a reprodução, com pena de morte para violadores.
- A pesquisa reforça a importância do guano como recurso estratégico e destaca que ainda existem perguntas sobre as relações do Chincha com vizinhos e o comércio da região.
O estudo sugere que os habitantes antigos do Peru, na região de Chincha, caçavam aves marinhas, coletavam o guano e o usavam como fertilizante para o milho. Dados de mais de 2.200 anos ajudam a explicar o crescimento de sociedades pré-incaicas.
Pesquisadores analisaram espigas de milho de sítios arqueológicos no Peru. Os níveis de nitrogênio encontrados eram altos, correspondentes aos de 11 espécies de seabirds da área, como o atobá-do-peru, o pelicano-do-peru e o cormorão-do-guano.
O autor principal, Jacob Bongers, da University of Sydney, aponta que o uso intensivo de guano ocorreu por volta de AD 1250, momento de auge do Reino Chincha, que chegou a abrigar cerca de 100 mil pessoas.
Conservação e controle
Quando os incas assumiram o controle dos depósitos, passaram a proibir a morte de aves durante a reprodução. A pena era de morte, segundo relatos da época, como forma de preservar a fonte de fertilizante.
Jordan Dalton, arqueólogo da SUNY Oswego, afirmou que ainda há muitos enigmas sobre a relação da Chincha com vizinhos e sobre o que era trocado, apesar de a prosperidade costeira já ser conhecida.
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