- Pesquisas arqueológicas em Dong Xa, na província de Hung Yen, Vietnã, encontraram crânios da Idade do Ferro com dentes tingidos de preto, datados há cerca de dois mil anos.
- A análise química indicou que o tingimento utilizava sais de ferro e enxofre, aplicados repetidamente para gerar um pigmento preto profundo e duradouro.
- O estudo sugere um processo de duas etapas: preparação do esmalte, aplicação do pigmento e, depois, polimento final, com o pigmento chegando a durar muitos anos.
- Os resultados conectam-se a relatos históricos de várias culturas sobre dentição escura como forma de distinção social ou rito de passagem.
- O método vietnamita, chamado nhuộm răng đen, é descrito na enciclopédia Wakan Sansai Zue (1712) como um “líquido de ferro” feito com ferro, farelo de arroz e água, que gera o pigmento por meio de fermentação.
O que aconteceu: novos achados arqueológicos revelam que dentes de antigos vietnamitas eram tingidos de preto com uma técnica sofisticada. O estudo identifica o uso de pigmentos aplicados repetidamente para obter cor profunda e duradoura.
Quem está envolvido: pesquisadores de arqueologia e antropologia analisaram crânios da Idade do Ferro encontrados em Dong Xa, Hung Yen, no Vietnã. Também consideraram fontes etnográficas históricas da região.
Quando e onde: os fósseis analisados têm cerca de milênios de idade, com um crânio datado de aproximadamente 400 anos antes de Cristo. Dong Xa fica na província de Hung Yen, Vietnã.
Por quê: a prática era uma forma de distinção social e étnica, segundo fontes históricas. A tinta negra sinalizava status e identidade, conforme tradições descritas em textos antigos.
Dois milênios de história
A investigação confirma que o tingimento fazia parte de uma tradição vietnamita chamada nhuộm răng đen. O resultado final era um preto intenso, que pode durar toda a vida com retoques periódicos.
Métodos químico e tecnológico
A análise química detectou sais de ferro e enxofre na composição dos pigmentos. A hipótese é de que a cor resultava de repetidas aplicações de uma pasta formada a partir desses sais e de taninos extraídos de vegetais.
Testes e evidências
Cientistas reproduziram a técnica aplicando uma tinta metalogálica similar a um dente moderno de animal. Os padrões químicos obtidos foram compatíveis com os dos dentes antigos, fortalecendo a explicação.
Passo a passo histórico
Referências antigas descrevem a preparação do chamado líquido de ferro, que envolve freio de arroz e água, fermentação em ambiente quente ou frio, até surgir um pigmento. A aplicação ocorria em etapas, com raspagem do esmalte, pigmentação em fases e polimento final.
Convergência entre tradição e ciência
Os achados arqueológicos batem com registros históricos de longas tradições de tingimento no Vietnã. A associação entre prática estética e identidade social ganha sustentação com a combinação de evidência física e documentação antiga.
Conclusões provisórias
O estudo aponta que o tingimento não se devia apenas ao consumo de nozes, mas a um processo elaborado envolvendo ferro, enxofre e técnica de aplicação repetida. A evidência aponta para uma prática de longa duração e alta sofisticação.
Entre na conversa da comunidade