- Estudo analisou quatro múmias de crianças sacrificadas há cerca de 500 anos nos vulcões Ampato e Sara Sara, no sul do Peru, incluindo a famosa Dama de Ampato (Juanita), estimada entre 12 e 15 anos.
- Tomografia de alta resolução revelou que órgãos foram removidos da cavidade torácica e abdominal e substituídos por pedras e tecidos antes do sepultamento, indicando mumificação artificial.
- Todas as vítimas apresentaram lesões cranianas associadas à morte ou perto do momento do falecimento, sugerindo golpes contundentes como causa mater da morte, não mortes por frio ou altitude.
- Uma menina de cerca de 10 anos tinha órgãos removidos e o corpo mumificado em posição sentada, apontando para preparação especial possivelmente para preservação ou correção de características físicas.
- Questões de saúde pré-existentes foram identificadas, como esôfago dilatado possivelmente relacionado à doença de Chagas e sinais de tuberculose ou infecção respiratória, questionando a ideia de corpos “perfeitos” segundo relatos europeus.
Um estudo arqueológico reconstituiu os últimos momentos das múmias de gelo conhecidas como Capacocha, criadas há cerca de 500 anos no Império Inca. Quatro meninas foram vítimas de sacrifício, com destaque para a Dama de Ampato, encontrada em 1995. As análises usararam tomografia de alta resolução para não danificar os corpos. O local é o sul do Peru, nos vulcões Ampato e Sara Sara.
As múmias foram extraídas de condições extremas de altitude, com uma das vítimas localizada a 5.800 metros de altitude no Ampato. A tomografia revelou que órgãos da cavidade torácica e abdominal haviam sido removidos intencionalmente e substituídos por pedras e tecidos antes do sepultamento.
Essa preparação indica uma possível mumificação artificial, sugerindo que a vítima pode ter sido morta em outro local e transportada para a montanha. Os pesquisadores discutem que o objetivo seria preservar a aparência para o ritual e prolongar a presença do corpo.
Causa da morte
As imagens mostram que nenhuma criança morreu por causas naturais associadas ao frio ou à altitude, como em outras múmias incas. As quatro apresentaram traumas cranianos ocorridos no momento da morte ou pouco antes, compatíveis com golpes contundentes possivelmente desferidos com instrumentos de madeira.
Para a Dama de Ampato e a menina de Sara Sara, há fraturas no crânio compatíveis com impacto violento. Outras vítimas exibem hemorragia interna e separação de suturas cranianas, lesões comuns em crianças com ossos ainda moles.
Os pesquisadores discutem que a violência procurou provocar a morte sem deformar excessivamente o corpo, preservando a aparência para o ritual. relatos históricos mencionavam métodos variados, como estrangulamento, mas as evidências físicas atualizadas apontam para violência direta na cabeça.
Saúde das vítimas e interpretações
A análise também questiona a ideia de corpos “perfeitos” mencionada por cronistas europeus. A menina de cerca de 8 anos tinha esôfago dilatado, possivelmente ligado à doença de Chagas, além de calcificações pulmonares que indicam tuberculose ou infecção respiratória crônica.
Outras múmias mostraram doenças prévias, fraturas em cicatrização e alterações internas incompatíveis com perfeição física. Os autores sugerem que essas condições eram comuns entre crianças do Império Inca e não impediam sua participação no ritual.
Os autores destacam que o papel dessas crianças não se encerrava com a morte. Evidências apontam que corpos eram visitados e venerados ao longo de anos, mantendo função mediadora entre vivos e divindades de montanha.
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