{"id":910449,"date":"2026-06-11T04:00:00","date_gmt":"2026-06-11T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/tecnologia\/2026\/06\/11\/mapear-o-fundo-dos-oceanos-e-questao-de-soberania-para-o-brasil\/"},"modified":"2026-06-11T04:00:00","modified_gmt":"2026-06-11T07:00:00","slug":"mapear-o-fundo-dos-oceanos-e-questao-de-soberania-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.portaltela.com\/tecnologia\/2026\/06\/11\/mapear-o-fundo-dos-oceanos-e-questao-de-soberania-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Mapear o fundo dos oceanos \u00e9 quest\u00e3o de soberania para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 buscando ampliar sua Zona Econ\u00f4mica Exclusiva, a Amaz\u00f4nia Azul, de 3,6 milh\u00f5es para 5,7 milh\u00f5es de km\u00b2. Novos levantamentos do fundo oce\u00e2nico s\u00e3o essenciais, j\u00e1 que 80% dessa \u00e1rea tem profundidades superiores a 200 metros.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar esse objetivo, \u00e9 preciso mapear o leito marinho e entender seu potencial econ\u00f4mico e cient\u00edfico. O conhecimento detalhado permite planejar a navega\u00e7\u00e3o, a pesca, a explora\u00e7\u00e3o de minerais e a prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<h3>Panorama hist\u00f3rico do mapeamento oce\u00e2nico<\/h3>\n<p>No passado, medir a profundidade envolvia um fio de prumo simples. Requisitos de navega\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia guiaram os primeiros mapas. O Atl\u00e2ntico ganhou aten\u00e7\u00e3o com a cordilheira mesoatl\u00e2ntica identificada por Maury e, mais tarde, pela expedi\u00e7\u00e3o Challenger.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o continuou com o uso de sonares durante a Segunda Guerra Mundial, que acelerou o mapeamento. Na d\u00e9cada de 1970, Tharp, Heezen e Ewing produziram mapas detalhados da fisiografia oce\u00e2nica, abrindo caminho para a tect\u00f4nica de placas.<\/p>\n<h3>Avan\u00e7os t\u00e9cnicos e o papel da geodiversidade<\/h3>\n<p>Hoje, ecobat\u00edmetros multifeixe medem profundidade e backscatter, identificando o tipo de substrato. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel mapear geodiversidade e relacion\u00e1-la \u00e0 biodiversidade e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Algoritmos de IA ajudam a classificar fundos marinhos e a prever \u00e1reas de pesca sustent\u00e1vel e de recursos minerais. Pesquisadores brasileiros querem manter o pa\u00eds na fronteira tecnol\u00f3gica dessas inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>O Brasil e a Amaz\u00f4nia Azul em foco<\/h3>\n<p>Entre 2026 e 2027, o Instituto Schmidt Ocean traz o navio Falkor ao Atl\u00e2ntico Sul, com expedi\u00e7\u00f5es em parceria com equipes brasileiras. Equipado para mapeamento de alta resolu\u00e7\u00e3o e coleta de amostras, o navio opera at\u00e9 6 mil metros de profundidade.<\/p>\n<p>Essa oportunidade requer que o Brasil trate os oceanos como prioridade estrat\u00e9gica. Dados batim\u00e9tricos de grande parte do que j\u00e1 foi coletado permanecem confidenciais, limitando o acesso \u00e0 comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<h3>Impactos e caminhos para o pa\u00eds<\/h3>\n<p>As atividades ligada \u00e0 economia do mar \u2014 pesca, petr\u00f3leo, turismo, transporte e aquicultura \u2014 respondem por uma parcela relevante do PIB e do emprego. A amplia\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia Azul depende de dados confi\u00e1veis para auditoria e gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Iniciativas como o Programa de Geologia e Geof\u00edsica Marinha, com participa\u00e7\u00e3o de mais de 20 institui\u00e7\u00f5es, avan\u00e7am desde 1969. Ampliar parcerias com o INP e o programa Ci\u00eancias no Mar \u00e9 essencial para apoiar o mapeamento.<\/p>\n<h3>Caminhos estrat\u00e9gicos para governan\u00e7a oce\u00e2nica<\/h3>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de capacidades nacionais passa por aumentar o acesso a embarca\u00e7\u00f5es de ponta e pela abertura de dados cient\u00edficos. Incentivos fiscais para pesquisadores e o fortalecimento de institutos nacionais em ci\u00eancias oce\u00e2nicas s\u00e3o elos importantes.<\/p>\n<p>Um estudo recente mostra que o Fundo Oce\u00e2nico, conhecido hoje como ativo estrat\u00e9gico, envolve riscos e oportunidades para soberania, economia e seguran\u00e7a do pa\u00eds. Conhec\u00ea-lo permite decis\u00f5es mais firmes.<\/p>\n<h3>Olhar para o futuro com foco t\u00e9cnico<\/h3>\n<p>O mapeamento detalhado do fundo do oceano \u00e9 instrumento para previs\u00f5es de desastres, localiza\u00e7\u00e3o de cabos de internet e planejamento de infraestrutura offshore. A integra\u00e7\u00e3o de dados geof\u00edsicos e biol\u00f3gicos sustenta pol\u00edticas p\u00fablicas mais s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tem expertise relevante em mosaicos de recifes, paleovales e estruturas submersas. Com investimento adequado, o pa\u00eds pode ampliar sua presen\u00e7a em pesquisas oce\u00e2nicas e na gest\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Alex Cardoso Bastos, Professor Titular da UFES, assina a an\u00e1lise sobre o tema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>O Brasil busca ampliar a Zona Econ\u00f4mica Exclusiva, a Amaz\u00f4nia Azul, de 3,6 para 5,7 milh\u00f5es de km\u00b2, sendo 80% dessa \u00e1rea com profundidades superiores a 200 metros.<\/li>\n<li>Mapear o fundo \u00e9 essencial para explorar economicamente e cientificamente a regi\u00e3o, al\u00e9m de sustentar soberania, seguran\u00e7a de navega\u00e7\u00e3o e modelos clim\u00e1ticos.<\/li>\n<li>Hoje apenas 28% dos oceanos t\u00eam profundidade medida com precis\u00e3o ac\u00fastica; os 72% restantes s\u00e3o estimativas por sat\u00e9lite, insuficientes para entender o fundo marinho.<\/li>\n<li>O projeto Seabed 2030 visa mapear 100% do fundo oce\u00e2nico at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada; o progresso j\u00e1 levou o mapeamento preciso de 5% para 28%.<\/li>\n<li>O Brasil j\u00e1 tem avan\u00e7os e parcerias em curso, mas falta investimento e tecnologia de ponta; o navio Falkor deve realizar expedi\u00e7\u00f5es no Atl\u00e2ntico Sul em 2026\u20132027 em parceria com pesquisadores brasileiros.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":910482,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Brasil avan\u00e7a para ampliar a Amaz\u00f4nia Azul a 5,7 milh\u00f5es de km\u00b2, mas mapeamento do fundo oce\u00e2nico ainda \u00e9 limitado e depende de investimento tecnol\u00f3gico","footnotes":""},"categories":[10028],"tags":[169,94,90,89,98,99],"class_list":["post-910449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia","tag-cientistas","tag-economia","tag-geopolitica","tag-meio-ambiente","tag-pesquisa","tag-universidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/910449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=910449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/910449\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/910482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=910449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=910449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=910449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}