{"id":723746,"date":"2026-05-21T14:44:00","date_gmt":"2026-05-21T17:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.portaltela.com\/noticias\/2026\/05\/21\/artigo-discute-tema-sensivel-com-franqueza\/"},"modified":"2026-05-21T14:44:00","modified_gmt":"2026-05-21T17:44:00","slug":"artigo-discute-tema-sensivel-com-franqueza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.portaltela.com\/literatura\/2026\/05\/21\/artigo-discute-tema-sensivel-com-franqueza\/","title":{"rendered":"Artigo discute tema sens\u00edvel com franqueza"},"content":{"rendered":"<p>Kamel Daoud, jornalista argelino, confirmou a presen\u00e7a na Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip) deste ano, para divulgar L\u00edngua Interior, seu romance mais recente. A obra, cujo t\u00edtulo original \u00e9 Houris, aborda a guerra civil na Arg\u00e9lia e seus traumas. O livro disputa leitura sobre f\u00e9, viol\u00eancia e mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Aube, jovem sobrevivente dos massacres dos anos 1990, narra ao longo da hist\u00f3ria as consequ\u00eancias de uma d\u00e9cada de conflito entre o governo militar e a Frente Isl\u00e2mica de Salva\u00e7\u00e3o. O romance mergulha nos dilemas de uma mulher que carrega uma cicatriz f\u00edsica e emocional.<\/p>\n<p>Daoud, radicado na Fran\u00e7a, j\u00e1 trabalhou como rep\u00f3rter durante o conflito. Hoje, suas cr\u00f4nicas costumam criticar o nacionalismo \u00e1rabe e o fundamentalismo isl\u00e2mico, o que lhe provoca cr\u00edticas de setores oficiais e religiosos da Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>A obra n\u00e3o foi publicada na Arg\u00e9lia, onde o artigo 46 da Carta para a Paz e a Reconcilia\u00e7\u00e3o Nacional criminaliza a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das feridas da trag\u00e9dia nacional. A narrativa carrega esse debate como ep\u00edgrafe de L\u00edngua Interior, segundo a cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Aube perdeu a voz em decorr\u00eancia do ataque que dizimou sua aldeia; a l\u00edngua interior \u00e9 o meio de express\u00e3o da protagonista. O romance questiona a reconcilia\u00e7\u00e3o imposta pela mem\u00f3ria oficial e exp\u00f5e feridas n\u00e3o resolvidas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Saada Arbane, mulher argelina cuja hist\u00f3ria inspirou aspectos da narrativa, acusa Daoud de se apropriar de relatos sem consentimento. O autor nega, afirmando que a obra se baseia em relatos de v\u00e1rias pessoas e experi\u00eancias.<\/p>\n<p>A Flip marca a primeira confirma\u00e7\u00e3o de Daoud para o evento, que tamb\u00e9m pode abrir espa\u00e7o para debate sobre \u00e9tica liter\u00e1ria e pol\u00edticas nacionais que moldam a Arg\u00e9lia contempor\u00e2nea. O autor pode ainda comentar sua vis\u00e3o sobre o papel da cultura diante do nacionalismo.<\/p>\n<p>Em 2014, Daoud venceu o Goncourt de Romance de Estreia com O Caso Meursault, e agora apresenta L\u00edngua Interior, que continua a explorar feridas hist\u00f3ricas do pa\u00eds. A obra chega ao p\u00fablico brasileiro pela editora DBA e ter\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o de Bernardo Ajzenberg. Fonte: CartaCapital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>O romance L\u00edngua Interior, de Kamel Daoud, vencedor do Pr\u00eamio Goncourt em dois mil e vinte e quatro, explora a guerra civil argelina pelo olhar de Aube.<\/li>\n<li>Aube, jovem sobrevivente, conversa com a filha que carrega no ventre, questionando a possibilidade de seguir a gesta\u00e7\u00e3o diante da opress\u00e3o de g\u00eanero no pa\u00eds.<\/li>\n<li>A obra destaca o esquecimento coletivo em nome da reconcilia\u00e7\u00e3o nacional ap\u00f3s a D\u00e9cada Negra, per\u00edodo em que cerca de duzentas mil pessoas teriam morrido.<\/li>\n<li>N\u00e3o foi publicado na Arg\u00e9lia devido ao artigo cento e quarenta e seis da Carta para a Paz e a Reconcilia\u00e7\u00e3o Nacional, que pune a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das feridas nacionais.<\/li>\n<li>Daoud, radicado na Fran\u00e7a, enfrenta acusa\u00e7\u00f5es de apropria\u00e7\u00e3o de relatos de Saada Arbane, que ele nega, dizendo basear-se em depoimentos de v\u00e1rias pessoas; ele atuar\u00e1 na Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":723759,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[615,1258],"tags":[4654,2908,562,196,3795,691],"class_list":["post-723746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-literatura","tag-a-argelia","tag-censura","tag-cultura","tag-literatura","tag-politica_","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/723746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=723746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/723746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/723759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=723746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=723746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=723746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}