{"id":465768,"date":"2026-05-15T11:20:00","date_gmt":"2026-05-15T14:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.portaltela.com\/noticias\/2026\/05\/15\/guerra-e-crime-internacional-por-que-nao-e-punida\/"},"modified":"2026-05-15T11:20:00","modified_gmt":"2026-05-15T14:20:00","slug":"guerra-e-crime-internacional-por-que-nao-e-punida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.portaltela.com\/internacionais\/2026\/05\/15\/guerra-e-crime-internacional-por-que-nao-e-punida\/","title":{"rendered":"Guerra \u00e9 crime internacional: por que n\u00e3o \u00e9 punida?"},"content":{"rendered":"<p>A not\u00edcia aborda a hist\u00f3ria jur\u00eddica internacional e o desafio contempor\u00e2neo de punir guerras. Ap\u00f3s a derrota na Primeira Guerra, aliados buscaram responsabilizar l\u00edderes alem\u00e3es, incluindo o kaiser, mas o pa\u00eds resistiu \u00e0 extradi\u00e7\u00e3o. A condu\u00e7\u00e3o do processo mudou a l\u00f3gica do direito internacional.<\/p>\n<p>Em Nuremberg, em 1946, 19 l\u00edderes nazistas foram julgados pelo Tribunal Militar Internacional. Pela primeira vez, a agress\u00e3o \u2014 o ato de fazer guerra \u2014 foi tratada como crime internacional, deslocando o eixo de prote\u00e7\u00e3o tradicional da soberania estatal.<\/p>\n<p>O livro The Criminal State analisa esse ponto de virada, mostrando que a comunidade internacional avan\u00e7ou na responsabiliza\u00e7\u00e3o por genocide, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, mas recuou na defini\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o autor, Lawrence Douglas, a partir de Nuremberg consolidou-se o que ele chama de \u201cparadigma das atrocidades\u201d, com tribunais que validaram relatos de v\u00edtimas, ainda que n\u00e3o tenham enfrentado de modo definitivo a responsabiliza\u00e7\u00e3o pela guerra agressiva.<\/p>\n<p>O texto destaca que o direito internacional evoluiu com julgamentos em outras frentes, como Jerusal\u00e9m e Fran\u00e7a, que deram espa\u00e7o a testemunhos de v\u00edtimas e \u00e0 mem\u00f3ria do Holocausto, refor\u00e7ando a ideia de crimes do Estado criminoso.<\/p>\n<p>Desafios modernos s\u00e3o apontados: a agress\u00e3o continua a ocorrer em diferentes regi\u00f5es, com baixa capacidade de frear a\u00e7\u00f5es de pot\u00eancias. A an\u00e1lise sugere que \u00e9 essencial retomar limites \u00e0 guerra para enfrentar atrocidades.<\/p>\n<p>O artigo cita exemplos recentes, incluindo opera\u00e7\u00f5es militares de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, e observa que o Tribunal Penal Internacional ainda tem limites para processar agress\u00e3o, especialmente diante de reservas de alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Por fim, Douglas prop\u00f5e que a agress\u00e3o seja crime quando a sua natureza \u00e9 raiz das atrocidades, mas reconhece que o cen\u00e1rio atual dificulta a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dessa hip\u00f3tese, mantendo a ordem internacional vulner\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>A persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o como crime internacional ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial com Nuremberg (1946), visando punir l\u00edderes pela inicia\u00e7\u00e3o da guerra.<\/li>\n<li>O livro sustenta que, desde ent\u00e3o, o sistema passou a enfatizar atrocidades e crimes contra a humanidade, mas sem definir claramente o crime de agress\u00e3o.<\/li>\n<li>Experi\u00eancias hist\u00f3ricas, como os julgamentos de Leipzig, mostraram falhas em responsabilizar governos pela guerra; o impulso de julgar o Kaiser tamb\u00e9m fracassou.<\/li>\n<li>Hoje, o Tribunal Penal Internacional pode reconhecer a agress\u00e3o, mas na pr\u00e1tica a jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada e alguns pa\u00edses n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a ela, dificultando a responsabiliza\u00e7\u00e3o de l\u00edderes como Vladimir Putin.<\/li>\n<li>O autor conclui que \u00e9 necess\u00e1rio reviver restri\u00e7\u00f5es \u00e0 guerra agressiva para enfrentar atrocidades, apontando falhas do atual direito internacional e a import\u00e2ncia de aprender com os julgamentos de Ruanda e ex-Jugosl\u00e1via.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":465778,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[698,1022],"tags":[3775,6076,1637,5299,2536,269],"class_list":["post-465768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conflitos","category-internacionais","tag-_politica_","tag-crime-de-guerra","tag-crimes-contra-a-humanidade","tag-crimes-internacionais","tag-genocidio","tag-internacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/465768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=465768"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/465768\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/465778"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=465768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=465768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=465768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}