{"id":392475,"date":"2026-02-27T13:00:00","date_gmt":"2026-02-27T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging.portaltela.com\/noticias\/2026\/02\/27\/por-que-ninguem-sabe-como-tocar-essa-musica-de-140-anos\/"},"modified":"2026-02-27T13:00:00","modified_gmt":"2026-02-27T16:00:00","slug":"por-que-ninguem-sabe-como-tocar-essa-musica-de-140-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.portaltela.com\/entretenimento\/musica\/2026\/02\/27\/por-que-ninguem-sabe-como-tocar-essa-musica-de-140-anos\/","title":{"rendered":"Por que ningu\u00e9m sabe como tocar essa m\u00fasica de 140 anos"},"content":{"rendered":"<p>A obra Aus der Jugendzeit!!, de Ethel Smyth, \u00e9 uma pe\u00e7a para piano escrita entre 1878 e 1880, ainda sem data exata. A dedicat\u00f3ria \u00e9 para as iniciais E. v. H., e o manuscrito permanece sem final. Hoje ele se encontra no Museu Brit\u00e2nico, entre obras da \u00e9poca formativa da compositora.<\/p>\n<p>A partitura registra mais de 600 notas distribu\u00eddas em 49 compassos, mas n\u00e3o traz instru\u00e7\u00f5es de performance. Por isso, a forma de interpret\u00e1-la segue aberta, gerando diferentes leituras entre pianistas que j\u00e1 a gravaram.<\/p>\n<p>Ethel Smyth ficou notavelmente esquecida pelas altas academias ap\u00f3s sua morte, apesar de ter sido criadora de \u00f3peras, escritora e ativista feminista. Sua vida e obra ressurgem apenas nos \u00faltimos anos como parte de um movimento de resgate de artistas de minorias.<\/p>\n<p>Em estudo recente, o professor Christopher Wiley, da Universidade de Surrey, analisa como a interpreta\u00e7\u00e3o pode nascer do contexto de execu\u00e7\u00e3o ao investigar Aus der Jugendzeit!!. O artigo, publicado no Performance Research, prop\u00f5e uma abordagem hist\u00f3rica para a leitura da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Wiley compara tr\u00eas grava\u00e7\u00f5es profissionais da obra e utiliza um software de visualiza\u00e7\u00e3o sonora para medir tempo, flutua\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas e rubato. As leituras divergem amplamente, com mudan\u00e7as abruptas de andamento ao longo das pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Algumas grava\u00e7\u00f5es come\u00e7am lentas e ganham ritmo em trechos espec\u00edficos, depois desaceleram. Outras mant\u00eam um pulso firme do in\u00edcio ao fim. Em todas, o final inacabado da partitura leva cada int\u00e9rprete a criar uma conclus\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de marca\u00e7\u00f5es de performance na partitura \u00e9 o principal obst\u00e1culo interpretativo. N\u00e3o h\u00e1 diretrizes de andamento, din\u00e2mica ou articula\u00e7\u00e3o, o que deixa espa\u00e7o para a imagina\u00e7\u00e3o do executante.<\/p>\n<p>Para Wiley, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na m\u00fasica, mas em fontes biogr\u00e1ficas. Ele ressalta a import\u00e2ncia de entender quem foi E. v. H. e o contexto de vida da compositora para guiar a leitura das op\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, Smyth vivenciou uma vida marcada por conflitos e paix\u00f5es. Em seus escritos autobiogr\u00e1ficos, especialmente no livro Impressions That Remained, ela descreve relacionamentos com v\u00e1rias mulheres e a figura de Elisabeth von Herzogenberg como pe\u00e7a central de sua trajet\u00f3ria afetiva.<\/p>\n<p>Nascida em 1858, Smyth enfrentou barreiras de g\u00eanero para estudar m\u00fasica na \u00e9poca. Aos 19 anos, mudou-se para a Alemanha para aprender composi\u00e7\u00e3o e, mais tarde, manteve contato pr\u00f3ximo com a esposa de seu professor, Elisabeth von Herzogenberg, cuja amizade foi marcada por uma paix\u00e3o intensa, seg\u00fan as cartas e relatos da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A vida pessoal da compositora inclui epis\u00f3dios significativos, como a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de sufr\u00e1gio feminino, pris\u00f5es e uma carreira liter\u00e1ria paralela. Smyth tamb\u00e9m teve rela\u00e7\u00f5es com outras figuras relevantes da cultura inglesa, incluindo a escritora Virginia Woolf, em fases posteriores de sua vida.<\/p>\n<p>O estudo de Wiley refor\u00e7a a ideia de que int\u00e9rpretes devem considerar o ambiente hist\u00f3rico de Smyth ao abordar Aus der Jugendzeit!!. A pista biogr\u00e1fica, segundo ele, pode orientar a escolha do p\u00fablico sobre como entender a pe\u00e7a inacabada.<\/p>\n<p>A pesquisa ressalta ainda que a pr\u00e1tica de improvisa\u00e7\u00e3o era comum entre m\u00fasicos da \u00e9poca, diferente do que ocorre em performances modernas de repert\u00f3rio cl\u00e1ssico. Isso confere \u00e0s leituras em estudo uma dimens\u00e3o de pesquisa interpretativa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A partir desses elementos, o artigo sugere que a interpreta\u00e7\u00e3o de Aus der Jugendzeit!! deve se apoiar em documentos, cartas e registros da vida da compositora para compreender as possibilidades de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>Entre 1878 e 1880, Ethel Smyth escreveu Aus der Jugendzeit!! para piano, mas a m\u00fasica n\u00e3o foi finalizada e n\u00e3o traz marca\u00e7\u00f5es de performance.<\/li>\n<li>O original, com mais de 600 notas em 49 compassos, est\u00e1 no Museu Brit\u00e2nico, mas o fim permanece desconhecido, deixando espa\u00e7o para diferentes interpreta\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Tr\u00eas grava\u00e7\u00f5es examinadas por Christopher Wiley mostram leituras muito distintas em tempo, rubato e andamento, evidenciando a aus\u00eancia de diretrizes claras na partitura.<\/li>\n<li>A proposta do estudo \u00e9 interpretar a obra a partir do contexto de sua \u00e9poca e identificar quem foi a dedicada, E. v. H., para orientar a leitura.<\/li>\n<li>Ethel Smyth foi figura central do sufr\u00e1gio, l\u00e9sbica e feminista; sua vida pessoal, incluindo o romance com Elisabeth von Herzogenberg, \u00e9 parte da biografia publicada.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":392484,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[615,43],"tags":[4293,4540,562,97,196,2088],"class_list":["post-392475","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-musica","tag-a-historia","tag-a-musica","tag-cultura","tag-curiosidades","tag-literatura","tag-pesquisas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/392475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=392475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/392475\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/392484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=392475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=392475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=392475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}