- Splash é a lontra treinada para buscas subaquáticas de restos humanos, considerada a primeira atendente nesse tipo de trabalho nos Estados Unidos, integrada à equipe da Peace River Search and Rescue K9, na Flórida.
- Em um caso de homicídio sem solução há 33 anos, Splash indicou o local exato no fundo de um lago, levando à descoberta de um tijolo de barro e, posteriormente, à extração de DNA humano.
- O treinamento de Splash começou após o mentor ter visto lontras usadas para caçar debaixo d’água; hoje, a lontra trabalha ao lado de cães farejadores para localizar vestígios submersos.
- Transportá-la é complexo: exige licenças, contenção adequada, autorizações estaduais e viagens quase siempre de carro; viagens aéreas costumam ser desaconselhadas devido às orelhas sensíveis.
- Splash tem limites de segurança: não mergulha acima de nove metros, zonas de correnteza são evitadas e há cuidados veterinários específicos para animais exóticos, incluindo higiene rigorosa após mergulhos em água contaminada.
Splash, lontra de resgate, atua em buscas subaquáticas nos EUA para localizar restos humanos e pistas em rios e lagos. O caso que ganhou respostas envolveu um homicídio arquivado há 33 anos.
Michael Hadsell, veterano de buscas, coordena operações há mais de 45 anos. Ele treinou cães farejadores, cavalos e equipes de localizaçao de pessoas desaparecidas.
A descoberta decisiva aconteceu em um lago. Splash indicou o local, onde foi encontrado um tijolo de barro na lama, que posteriormente forneceu DNA humano em vestígios de sangue.
Primeiro animal treinado para buscas subaquáticas
Splash integra a equipe da PRSARK9, organização sem fins lucrativos na Flórida. O grupo trabalha com polícia, forense e investigadores em buscas de desaparecidos.
Hadsell relata dificuldade antiga: cães conseguiam farejar na margem, mas o odor submerso era um obstáculo. A solução foi adaptar técnicas para o ambiente aquático.
A ideia ganhou impulso após Hadsell observar lontras usadas na Tailândia e, em 2020, ler sobre o tema. A curiosidade motivou o estudo sobre o potencial das lontras mergulhadoras.
Como surgiu a parceria com o Splash
O Wildlife World Zoo, no Arizona, ofereceu um filhote da espécie como suporte ao projeto. Morgan Brown, proprietário, concordou com a doação.
O processo de levar Splash aos EUA exigiu licenças de animais exóticos, contenção, autorizações estaduais e planejamento logístico para transporte.
Cuidados e segurança do animal
Lontras enfrentam riscos com vírus humanos; por isso, o manejo é restrito a profissionais treinados. Splash recebe vacinas especializadas e controle veterinário específico.
Durante as viagens, evita-se cabines pressurizadas por conta das orelhas sensíveis. A maior parte das missões é percorrida por via rodoviária.
Splash vive em casa com a equipe, convive com cães, brinca em área infantil e dorme em um iglu. O vínculo com o treinador é forte, mas o manejo é cuidadoso.
Como é o treinamento
O treinamento adapta métodos caninos para o ambiente submerso. Bigodes sensíveis detectam perturbações na água; o uso de bolhas facilita captar odores dissolvidos.
Inicialmente, o odor-alvo era marcado com várias bolas, e apenas uma continha o cheiro. Ao acionar o correto, Splash recebia peixe como recompensa.
Hoje, a lontra atua ao lado dos cães farejadores, buscando pontos exatos debaixo da água após o reconhecimento na superfície.
Limites de atuação e rotina
Splash não mergulha além de cerca de nove metros. Correntes fortes e áreas com jacarés são evitadas. A equipe monitora aves de rapina que possam avistar o animal.
Em locais poluídos, a limpeza inclui detergentes específicos para preservar a pelagem e a flutuabilidade. A lontra precisa de dias longe da água para recuperar a camada de óleo natural.
Apesar da rotina exigente, Splash demonstra entusiasmo pela função. Ao vestir o uniforme da equipe, corre para a van junto com os cães, pronto para a próxima missão.
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