- Entre janeiro de dois mil e vinte e três e outubro de dois mil e vinte e cinco, mais de trinta e cinco milhões de salmones morreram de forma inesperada em fazendas na Escócia.
- Segundo solicitação de transparência, a Agência de Bem-Estar Animal e de Saúde de Plantas (Animal and Plant Health Agency, APHA) inspecionou apenas vinte e um de duzentas e treze fazendas ativas de salmão nesse período, sem inspeções nas vinte piores em termos de mortalidade.
- As inspeções sem aviso preliminar, requisito legal, ocorreram apenas duas vezes entre dois mil e vinte e três e dois mil e vinte e cinco, ambas em dois mil e vinte e quatro.
- A organização Animal Equality UK critica o sistema regulatório, afirmando que a fiscalização é insuficiente e que há prioridades voltadas à reputação das empresas em vez de bem-estar animal.
- Autoridades defendem que o Inspectorate Fish Health realiza centenas de inspeções por ano e que casos de bem-estar são avaliados por veterinários, com ações de fiscalização quando cabíveis.
Mais de 35 milhões de salmões morreram de forma inesperada em fazendas da Escócia em menos de três anos, segundo dados oficiais. A informação aponta falhas no controle sanitário e na fiscalização, alimentando críticas a um suposto regime regulatório fraco.
Dados obtidos por meio de pedido de transparência mostram que a APHA, responsável pela fiscalização de bem-estar animal, inspecionou apenas 21 das 213 fazendas de salmão ativas entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Nestas mesmas análises, nenhuma das 20 fazendas com maior índice de mortalidade foi inspecionada.
Entre 2023 e 2025, foram reportadas oficialmente 35.867.788 mortes de salmões em fazendas escocesas. A organização Animal Equality UK afirma que a cifra real pode ser ainda maior, já que abatimentos, mortes durante o transporte, ou devoluções de peixe podem não entrar nos números.
A organização diz que o nível de fiscalização é inadequado e cobra mudanças no sistema regulatório. Abigail Penny, diretora-executiva da entidade, ressalta que inspeções e sanções quase não existem e que isso coloca animais em situação de risco sem freio adequado.
Segundo a APHA, há 22 denúncias de abusos de bem-estar desde 2022, mas apenas 12 resultaram em ações ou orientações, sem sanções mais severas. As informações detalhadas de relatórios de inspeção não foram liberadas à Animal Equality, com justificativa de dano potencial aos negócios.
O governo escocês afirma que o serviço de inspeção de saúde dos peixes realiza cerca de 250 visitas anuais, incluindo inspeções programadas, emergenciais e não anunciadas, e que as inspeções visam identificar problemas de saúde, biossegurança e bem-estar. O órgão também reforça cooperação com autoridades locais.
O comitê parlamentar de Assuntos Rurais e Ilhas deve ouvir executivos do setor de salmão em 25 de fevereiro, em continuidade de uma avaliação sobre a regulação da indústria. No ano passado, o comitê criticou o governo pela lentidão na regulação do setor.
Salmon Scotland, associação do setor, sustenta que os produtores mantêm padrões elevados de saúde, bem-estar e meio ambiente, e que as críticas frequentemente apresentam um retrato incorreto das fazendas. A entidade destaca investimentos superiores a 1 bilhão de libras em inovação, cuidados veterinários, tecnologia e manejo do estoque.
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