- Torridge e West Devon (leave 57,0%): entrevistados dizem que Brexit foi um desastre desde o início, com custos adicionais de exportação e dificuldades na pesca após o acordo de Johnson.
- Ceredigion (remain 54,6%): apesar de ter votado para permanecer, a região enfrentou impactos no setor agrícola e nos seus laços com a União Europeia, contribuindo para mudanças políticas locais.
- Banff e Buchan (remain 54,0%): pescadores avaliam que o Brexit não entregou controle prometido e criticam a condução das negociações e os impactos na indústria.
- Kettering (leave 61,0%): o ex-parlamentar reeleito em 2024 atribui resultados decepcionantes à implementação do Brexit, destacando questões de imigração e desempenho dos políticos.
O Guardian revisitou cinco perímetros-bandeira escolhidos durante o referendo de 2016 e ouviu moradores sobre a percepção atual do Brexit, dez anos após o voto. O foco é o que mudou, quem esteve envolvido e que impactos se reconhecem hoje.
Torridge e West Devon: voto a favor da saída foi de 57,0%. Em Appledore, no noroeste de Devon, o empreendedorage Tony Rutherford apontou que o Brexit foi um pesadelo desde o início. O setor pesqueiro, que ele apoia, viu poucas oportunidades de pesca depois do acordo.
Além disso, custos com exportação aumentaram a partir de 2021. Rutherford descreveu despesas com certificações sanitárias, transporte e contabilidade na França, elevando perdas por remessa não conformada. Diversas cargas chegaram a ser inutilizadas.
As dificuldades de logística continuam. Rutherford relatou que o setor sofre com atrasos e impedimentos na alfândega, o que gerou prejuízos significativos. O empresário destaca que muitos comerciantes da região desistiram de exportar.
Ceredigion: voto permaneceu com 54,6%. O então deputado Liberal Democrata Mark Williams, defensor declarado da permanência, mostrou que a região dependia de fundos da UE para a economia rural e universidades de Aberystwyth e Lampeter. O cenário mudou com o tempo.
Hoje a área faz parte de uma região ampliada, Ceredigion Preseli, que inclui partes do norte de Pembrokeshire. Williams observa que a Brexit contribuiu para a derrota dele em 2017. Ben Lake, atual representante, aponta impactos na agricultura local.
Segundo Lake, os agricultores de pastagem de elevação dependem mais de subsídios, com ciclos de financiamento reduzidos. Exportações de ovelhas ainda visam a UE, mas exigem certificados de saúde e inspeções adicionais.
Banff e Buchan: votação remain 54,0%. Em Fraserburgh, David Milne, presidente da Associação de Produtores de peixe do Mar das Ilhas, defendia autonomia para o setor pesqueiro. Hoje, ele afirma que os ganhos prometidos não se materializaram.
Para Milne, o principal atrativo do Brexit era o controle sobre quotas e esforços pesqueiros, além de maior autonomia. O governo, segundo ele, não entregou esse ganho, configurando um desafio contínuo para a indústria.
Kettering: voto pela saída 61,0%. O então deputado conservador Philip Hollobone destacou, em 2016, que lugares como Rothwell definiriam o desfecho do referendo. Em 2024, Hollobone perdeu a cadeira para o Labour, em decorrência de mudanças na preferência dos eleitores.
Hollobone atribui a derrota à atuação de movimentos de reformismo político que reduziram o apoio do agronegócio ao governo. Ele aponta falhas na condução das negociações e na implementação do acordo, mencionando a imigração como tema central.
Observa-se que a avaliação sobre Brexit evoluiu de expectativas altas para críticas quanto à efetivação prática. Os relatos destacam mudanças na economia rural, nos custos de exportação e na dinâmica política local em diferentes partes do Reino Unido.
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