- Líderes de Lelepa, Vanuatu, questionam o plano da Royal Caribbean de construir um clube de praia privado na ilha, afirmando que a avaliação de impacto ambiental é incompleta e enganosa.
- Em carta enviada a Royal Caribbean em 26 de fevereiro, os chefes locais pedem consulta ampla e aprovação dos proprietários tradicionais antes de seguir adiante.
- O projeto prevê resort capaz de receber até cinco mil visitantes por dia; a construção ainda não começou e Lelepa abriga cerca de 500 pessoas.
- Autoridades locais dizem que o empreendimento pode afetar ecossistemas frágeis e o sítio de patrimônio mundial próximo, além de áreas de desova de tartarugas e de pesca. Cita-se ainda o Fels Cave como ponto cultural sensível.
- A Royal Caribbean disse que o EIA está sendo concluído com base no feedback público e que medidas de proteção ambiental e manejo de resíduos serão incorporadas, enquanto o governo não respondeu.
Lelepa, Vanuatu — líderes indígenas questionam o plano da Royal Caribbean de construir um beach club privado na ilha, alegando que as avaliações de impacto ambiental são incompletas e podem prejudicar ecossistemas frágeis. O projeto visa receber até 5 mil visitantes diários, com operações de cruzeiros ligando-se a turismo na região.
Os chefes tradicionais de Lelepa enviaram uma carta à Royal Caribbean em 26 de fevereiro, criticando a avaliação ambiental encomendada pela empresa e a consulta às comunidades locais. A carta afirma que o estudo não atende aos padrões legais do país e que a participação comunitária foi insuficiente.
Conforme o documento, a construção não deve seguir adiante até que avaliações pendentes e consultas sejam aprovadas pelos chefes e pelos proprietários de terras tradicionais. Também é solicitada uma avaliação de patrimônio cultural para proteger sítios da ilha.
Chiefs destacam riscos para áreas sensíveis, incluindo um patrimônio mundial próximo conhecido pela presença de arte rupestre na Fels Cave. Natamatewia III, chefe de Lelepa, aponta a necessidade de mais consulta antes de anunciar o resort como privado.
Além de questões ambientais, há preocupações sobre áreas de desova de tartarugas, áreas de pesca e impactos sobre a subsistência local. Os proprietários de terras enfatizam que o mar é fonte de alimento e renda e precisam de proteção adequada.
A Royal Caribbean afirmou ter apresentado a EIA e que o documento atende às regulamentações ambientais de Vanuatu, disse estar incorporando feedback público na versão final. A empresa destacou que o projeto está distante de um patrimônio mundial, prometendo ajustes com base nas consultas.
A companhia informou ainda que está buscando licenças necessárias para a implementação do Royal Beach Club Lelepa e que trabalha com governo, comunidades e organizações ambientais para proteger o ambiente. Lelepa já recebe visitas de cruzeiros há anos, com atividades culturais e atividades costeiras.
O governo de Vanuatu não se posicionou publicamente sobre o assunto até o momento. O debate ocorre em meio a tensões entre incentivar o turismo e preservar ecossistemas locais e modos de vida tradicionais.
Especialistas observam que projetos dessa escala ressaltam o desafio de equilibrar desenvolvimento turístico e proteção ambiental em pequenas ilhas, onde recursos naturais são a base econômica e cultural.
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