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Chefe da EPA se reúne com CEO da Bayer sobre disputa na Suprema Corte

Reunião entre a EPA e o CEO da Bayer discutiu ação do Supremo sobre o glifosato, levantando dúvidas sobre influência da indústria na regulação

Lee Zeldin and Bill Anderson.
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  • Em 17 de junho, representantes da Agência de Proteção Ambiental (EPA) reuniram-se com Bill Anderson, CEO da Bayer, e mais dois executivos, para discutir questões de litígios, incluindo ação no Supremo sobre o herbicida glifosato.
  • A reunião ocorreu meses antes de o governo de Donald Trump tomar medidas para defender a posição da Bayer no tribunal superior, conforme registros internos.
  • A Bayer enfrenta ações de milhares de pessoas que alegam câncer decorrente do uso de Roundup e busca, entre as estratégias, que o Supremo concorde que a EPA não é obrigada a exigir aviso de risco de câncer.
  • Após a reunião, o governo apoiou a Bayer de diversas formas, incluindo encaminhamentos ao Supremo e elaboração de pareceres jurídicos que fortalecem a posição da empresa.
  • Críticos afirmam que encontros entre executivos de grandes empresas e reguladores levantam preocupações sobre influência corporativa em decisões regulatórias de saúde pública.

Oito pessoas participaram de uma reunião no EPA em 17 de junho do ano passado, envolvendo o CEO da Bayer, Bill Anderson, e dois executivos da empresa. O objetivo foi discutir ações judiciais e, em especial, uma possível entrada no Supremo Tribunal dos EUA sobre o herbicida à base de glifosato.

A pauta incluía questões legais e de rotulagem, com foco em como a Bayer poderia lidar com processos e risco de litígio. A conversa ocorreu meses antes de o governo Trump intensificar medidas para sustentar a posição da Bayer no caso.

A Bayer enfrenta ações de milhares de pessoas que alegam câncer associando o uso de Roundup e outros herbicidas ao glifosato. Acusações apontam falha em avisar sobre riscos à saúde.

Entre as estratégias da empresa está conseguir apoio do tribunal superior para sustentar que, se a EPA não exigir aviso de câncer, a Bayer não pode ser responsabilizada por omissão de risco. Várias cortes já rejeitaram esse argumento.

Segundo registros, o encontro contou com a participação de Lee Zeldin, então administrador do EPA, Nancy Beck, ex-diretora sênior do American Chemistry Council, e outros membros da alta cúpula da agência. Documentos internos detalham o tema “ação no Supremo” e atualização sobre litígios.

Os registros também mostram que a Bayer pretendia apresentar aos reguladores um panorama de ações judiciais e opções de rotulagem. A reunião ocorreu pouco antes de o Supremo pedir ao Departamento de Justiça que opine sobre o tema.

Após o encontro, o governo apoiou a Bayer com várias ações. Em dezembro, o solicitor general indicado pelo governo pediu ao STF que aceitasse o caso, e a corte concordou em marcar audiência para abril.

No ano seguinte, o governo Federal acionou medidas para proteger a produção de herbicidas à base de glifosato, e um parecer jurídico em favor da Bayer foi apresentado ao STF, assinando apoio institucional. A Bayer afirma que encontros com reguladores são parte normal do processo.

Especialistas afirmam que a reunião com executivos de uma empresa de pesticidas e autoridades regulatórias levanta preocupações sobre influência corporativa. Críticos questionam se vítimas de câncer tiveram o mesmo espaço de diálogo com a agência.

A Bayer reiterou que tais encontros são comuns, destacando transparência sobre sua posição em litígios. A empresa afirma que interações com reguladores não são exclusivas de sua indústria e que outros grupos também participam de conversas com agências reguladoras.

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