- Importações da China de soja dos EUA caíram 83,7% nos dois primeiros meses de 2026, para 1,49 milhão de toneladas, frente a 9,13 milhões no ano anterior.
- Compras chinesas de soja do Brasil subiram 82,7% no mesmo período, para 6,56 milhões de toneladas, com privados aumentando as aquisições devido às tarifas.
- Argentina aumentou as importações para 3,27 milhões de toneladas, ante 111.603 toneladas no ano anterior, em parte impulsionadas pela suspensão de impostos de exportação em setembro.
- O governo brasileiro negocia requisitos de inspeção e segurança fitossanitária para embarques de soja para a China; o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que haverá tratativas.
- Analistas ressaltam riscos de atrasos devido a controles fitossanitários no Brasil e ao desembaraço alfandegário na China, enquanto aguardam a próxima reunião entre Trump e Xi Jinping para esclarecer demanda futura.
O Brasil ampliou sua participação no mercado chinês de soja, apesar da queda expressiva de 83,7% nos embarques norte-americanos nos dois primeiros meses de 2026. Em janeiro e fevereiro, a China importou 1,49 milhão de toneladas métricas de soja dos EUA, frente a 9,13 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados alfandegários publicados recentemente.
A queda ocorre após uma trégua comercial no fim de outubro, que ainda não se traduziu em retomada constante de compras dos EUA pela China. Enquanto isso, o Brasil elevou as compras privadas de soja brasileira, com importações totalizando 6,56 milhões de toneladas no mesmo biênio, um salto de 82,7% ante 2025.
As autoridades brasileiras atuam para evitar atrasos logísticos e sanitários que possam atrasar a cadência de chegadas aos portos chineses. Na terça-feira, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou que o governo negocia requisitos de inspeção e segurança fitossanitária para embarques brasileiros destinados à China.
Movimentação por país
As compras chinesas de soja brasileira cresceram conforme a demanda privada buscou suprimentos alternativos diante das tarifas elevadas sobre os EUA. A China mantém o foco em diversificar fornecedores, buscando manter o abastecimento enquanto avalia demandas futuras.
Outro ponto relevante é o desempenho de importações pela Argentina, que cresceram para 3,27 milhões de toneladas nos meses de janeiro e fevereiro, ante 111.603 toneladas no ano anterior. Analistas atribuem o aumento a uma suspensão temporária de impostos de exportação, adotada pela Argentina em setembro.
Desdobramentos e perspectivas
Especialistas destacam que a continuidade de controles fitossanitários mais rigorosos no Brasil, aliada ao desembaraço alfandegário prolongado na China, pode moderar o ritmo de chegadas nos próximos meses. A agenda envolve, ainda, a possibilidade de futuras negociações entre autoridades brasileiras e chinesas para facilitar operações e manter o fluxo de exportações.
Entre na conversa da comunidade