- O conflito entre Irã e Israel afeta fertilizantes nitrogenados, energia e grãos, elevando custos logísticos e volatilidade para importadores como o Brasil, especialmente pelo estreito de Ormuz.
- A FAO aponta deterioração na produção de cereais na Síria em 2025, com volumes mais de sessenta por cento abaixo da média histórica.
- No Irã, a produção de cereais em 2025 ficou cerca de dez por cento abaixo da média dos últimos cinco anos; a inflação de alimentos superou setenta por cento no fim de 2025 e a economia pode encolher em torno de um e meio por cento em 2026/27.
- A ureia no Oriente Médio estava em torno de US$ 0,63 por quilo (US$ 630 por tonelada), com volatilidade logística pressionando cotações; o Brasil importa uma parcela relevante de nitrogenados da região, impactando custos de culturas como milho e trigo.
- As exportações brasileiras para Irã e Israel somaram US$ 3,44 bilhões em 2024 e US$ 3,40 bilhões em 2025, com aumento no volume para 11,97 milhões de toneladas; carnes, complexo soja e cereais estão entre os destaques nas entregas para esses mercados.
A escalada militar entre Irã e Israel nos últimos meses ampliou a volatilidade de insumos agrícolas estratégicos, como fertilizantes nitrogenados, energia e grãos. O conflito, com desdobramentos no entorno do Estreito de Ormuz, elevou prêmios de risco e aumentou custos logísticos, afetando países importadores como o Brasil. Analistas apontam que, sem uma trégua, a cadeia de suprimentos pode sofrer novas pressões ao longo de 2025 e 2026.
A região próxima a Ormuz continua vulnerável, o que pode encarecer o petróleo e derivativos como diesel e frete marítimo. Com isso, custos de produção e transporte tendem a subir, influenciando o preço de insumos agrícolas e o planejamento de safras, especialmente em períodos de maior demanda por fertilizantes nitrogenados.
Impactos no agronegócio regional
A FAO aponta deterioração na produção de cereais da Síria, com volumes em 2025 mais de 60% abaixo da média histórica. No Irã, a produção de cereais em 2025 ficou cerca de 10% abaixo da média dos últimos cinco anos, em meio a secas e interrupções no fornecimento de energia. Tais cenários elevam a preocupação com segurança alimentar na região e aumentam a volatilidade dos preços globais.
O mercado de ureia no Oriente Médio, com referência em US$ 0,63 por quilo (aproximadamente US$ 630 por tonelada), reflete a combinação de volatilidade logística e insegurança geopolítica. O Irã é ator relevante nas exportações de ureia, com rotas próximas a Ormuz, que movimentam parte do comércio global.
Brasil e dependência de insumos
O Brasil importa parcela significativa de nitrogenados do Oriente Médio, e dados da Conab indicam que fertilizantes respondem por cerca de 30% a 40% do custo operacional de culturas como milho e trigo. Assim, oscilações internacionais podem impactar custos, planejamento de plantio e crédito rural.
Perspectivas regionais
Israel enfrenta gargalos produtivos próximos às fronteiras e depende de importações de trigo e grãos. Custo de frete e seguro marítimo sobem com a instabilidade nas rotas do Mar Vermelho e do Mediterrâneo. Em resposta, o governo israelense amplia incentivos à automação agrícola para manter a oferta doméstica.
Comércio brasileiro com Irã e Israel
Dados do Agrostat mostram exportações brasileiras para Irã e Israel somando US$ 3,44 bilhões em 2024 e US$ 3,40 bilhões em 2025, com volumes físicos em torno de 11,97 milhões de toneladas em 2025. O Irã permanece o principal destino regional, com destaque para cereais, farinhas e preparações, seguido por soja e carnes, que apresentaram variações expressivas no biênio.
As exportações para Israel cresceram, passando de US$ 334,99 milhões em 2024 para US$ 475,09 milhões em 2025, impulsionadas pelo setor de proteína animal. O complexo soja e o café também contribuíram para a diversificação das vendas brasileiras ao território israelense.
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