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Pará avança na fronteira do cacau: de pastos degradados ao chocolate fino

Pará: cacau premium transforma áreas degradadas em polo de produção, gerando valor, diversificação econômica e turismo rural

Osny de Azevedo Ramos: "Conservação e reflorestamento têm que estar aliados ao ganho financeiro do produtor"
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  • Cacau avança em Castanhal, Pará, com duas fazendas adotando agroflorestas e produção premium, fortalecendo a cacauicultura na região.
  • Fazenda Monte Castelo transformou pastagens degradadas em sistema agroflorestal de cacau e açaí; produção de amêndoas premiadas e fabricação própria sob a marca Caupé Chocolate Artesanal; cacau fino atinge entre R$ quarenta e R$ cinquenta e cinco por quilo, versus R$ nove a R$ dez do convencional.
  • Fazenda Dom Manoel, com quarenta e cinco hectares totais na prática (35 hectares em cacau com açaí e dendê), investe na verticalização e no agroturismo, com produção voltada ao mercado premium e planos de fábrica própria de chocolate.
  • Iberação entre culturas e manejo: integração com pecuária de corte, adubação orgânica representa cerca de setenta por cento do insumo, com meta de cem por cento ainda neste ano; projeto de cacau superdensificado busca até cinco mil plantas por hectare para agricultura familiar.
  • As iniciativas ganharam destaque na Chocolat Amazônia, Belém, e sinalizam uma nova fronteira do cacau no Pará, com foco em qualidade, diferenciação de mercado e consolidação de cadeias integradas.

Na região nordeste do Pará, o cacau avança sobre áreas antes dominadas pela pecuária. Em Castanhal, duas propriedades promovem um modelo de produção que alia recuperação ambiental, rentabilidade e agregação de valor ao fruto. As iniciativas envolvem fazendas com foco em cacau premium, agroflorestas e verticalização da cadeia.

Na Fazenda Monte Castelo, osny de Azevedo Ramos lidera a transformação de áreas degradadas em sistemas agroflorestais de cacau e açaí. O objetivo é produzir amêndoas de alto valor, com certificação de qualidade e fabricação própria sob a marca Caupé Chocolate Artesanal. A Fazenda Dom Manoel, por sua vez, adota integração de cacau, açaí e dendê, buscando diversificação e turismo rural.

A mudança começou em 2019, quando a Monte Castelo deixou de ser pasto contínuo. O projeto recebeu apoio da Ceplac para usar o cacau na recuperação do solo e explorar a sinergia entre cacau e açaí, garantindo renda em diferentes semestres do ano. O planejamento envolve expansão gradual e maior densidade de plantio.

O modelo de produção premium difere do cacau convencional ao apostar em fermentação e secagem controladas, o que elevou o valor da amêndoa no mercado. Em uma primeira participação em festival do setor, a produção da fazenda conquistou medalha de ouro, impulsionando a busca por mercados especializados.

Pelo menos duas linhas de negócio fortalecem o projeto: a venda de cacau fino, que hoje alcança preços entre 40 e 55 reais por quilo, e a possibilidade de ampliar receita com o consórcio entre cacau, açaí e baunilha, visando faturamento próximo de 200 mil reais por hectare. A baunilha ainda está em fase experimental, com metas ambiciosas de retorno econômico.

A expansão envolve também a integração com a pecuária. A Monte Castelo mantém pecuária confinada, com o esterco devolvido às lavouras para manejo orgânico, e pretende chegar a 100% de adubação orgânica até o fim do ano. Em paralelo, o projeto de cacau de alta densidade para agricultura familiar busca produzir entre seis e oito toneladas por hectare, com clones de alta produtividade.

Na Fazenda Dom Manoel, o cultivo já soma 35 hectares de cacau em sistema agroflorestal, com integração a açaí e dendê. A produção varia em torno de dois quilos de amêndoas por planta por ano, sustentando a ideia de que o cacau combina bem com outras culturas para manter a rentabilidade ao longo do ano.

A visão é avançar na verticalização, com planos de instalar uma fábrica própria de chocolate e abrir espaço para visitação rural e educação ambiental. Atualmente, parte da amêndoa atende fornecedores de chocolates artesanais reconhecidos no Pará, mantendo a qualidade como foco essencial para mercados premium.

As experiências em Monte Castelo e Dom Manoel refletem uma mudança regional: o cacau deixa de ser novidade isolada para se consolidar como cultura integrada a sistemas agroflorestais, com produção sustentável, valorização de terroir e participação de famílias locais.

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