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Crise alimentar iminente no Sudeste Asiático

A crise alimentar na região pode agravar-se: Myanmar sofre o maior impacto, com queda de dez a quinze por cento na produção e aumento da fome

Farmers cut grass in a paddy field in the Naypyidaw region of Myanmar on March 27, 2025.
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  • A crise alimentar na Ásia-Pacífico deve aumentar em cerca de 24%; o Sudeste Asiático enfrenta inflação de óleo e fertilizantes e uma onda de calor, com impacto nos preços dos alimentos.
  • O preço do fertilizante subiu pelo menos 85% desde o início do ano, diante de interrupções na oferta de ureia e gás natural no Golfo Persa.
  • Com a temporada de plantio se aproximando, analistas estimam queda de entre 10% e 15% na produção neste ciclo, e há relatos de produtores que podem não semear devido aos custos.
  • Myanmar deve sofrer o maior impacto humano: mais de 12 milhões de pessoas podem enfrentar fome aguda em 2026, agravada pela guerra civil e um terremoto recentemente.
  • Malaysia e Kedah enfrentam estresse hídrico que afeta o arroz; além disso, houve acordos entre Filipinas e Vietnã com o Irã para passagem segura de navios pelo estreito de Hormuz, buscando mitigar preços de energia e insumos.

O alerta sobre crise alimentar na região ganha força, com foco em Myanmar como o ponto mais sensível. A ONU estima que, devido ao conflito no Oriente Médio, 45 milhões de pessoas adicionais devem enfrentar fome aguda em 2026.

Na Ásia e Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, a maior alta relativa entre as regiões. Southeast Asia encara elevação de preços de óleo e fertilizantes, além de calor extremo que atinge lavouras e produção animal.

Os preços de alimentos acompanham o custo de energia. Mesmo com recuo dos combustíveis, os alimentos não caem na mesma velocidade, segundo um porta-voz do WFP ouvido pela imprensa estrangeira.

Ascimentos de fertilizantes vem de regiões produtoras, com o Golfo Persa entre os principais fornecedoras. Urea e gás natural são componentes críticos, e interrupções elevam os custos em, pelo menos, 85% desde o início do ano, apontam dados do Fertilizerworks.

Contexto regional e impactos

Em Kedah, Malásia, reservas hídricas dos reservatórios estão sob pressão, agravando o cenário de arroz. Na Tailândia, a produção de gado já é afetada por altas temperaturas. Analistas estimam queda de safras entre 10% e 15% para o próximo ciclo, com início da estação de plantio de arroz no curto prazo.

Myanmar lidera o ranking de insegurança alimentar, ocupando o quinto lugar no mundo segundo o WFP. A projeção aponta mais de 12 milhões de pessoas com fome aguda em 2026 no país. Conflito civil e um terremoto devastaram meios de subsistência, piorando a situação.

Michael Dunford, diretor do WFP em Myanmar, descreve o quadro como “tempestade perfeita”, destacando que o calor pode reduzir colheitas e aumentar a severidade de tempestades. O WFP também aponta pressão de preços na cesta básica no país, com aumento de 9% entre fevereiro e março.

Mudanças políticas e acordos na região

No âmbito político, Myanmar anunciou Min Aung Hlaing como presidente, consolidando o poder após o golpe de 2021. Ye Win Oo foi promovido a chefe do exército, em meio a críticas sobre experiência e lealdade. Soe Win foi afastado de posições-chave no alto escalão militar.

Na visita regional, Filipinas e Vietnã fecharam acordos com o Irã para permitir a passagem de embarcações pelo Estreito de Hormuz, buscando aliviar pressões de preços do combustível. Vietnã e Filipinas também relataram cooperação para facilitar trânsito de navios através da região.

Incidentes no Líbano e reações locais

Indonêses já atuam como tropas de paz no Líbano. Três militares morreram em ataques em 29 e 30 de março, com dois feridos graves e mais três feridos em novo atentado. O UNIFIL investiga as causas, enquanto fontes não oficiais citam responsabilidade de blindado israelense.

O governo da Indonésia classificou os incidentes como inaceitáveis e pediu apuração, reforçando críticas a políticas do país no Oriente Médio. O episódio aumenta pressão sobre o presidente Prabowo Subianto e o debate interno sobre missões de paz e alianças regionais.

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