- Agricultores do planalto de Bandarban estão substituindo o jhum pelo sistema machan, que usa treliças de bamboo para cultivar acima do solo.
- Dados mostram queda na área de jhum: de 9.050 hectares (2014-15) para 8.270 hectares (2024-25); o número de produtores aumentou de 45.642 para 56.524.
- Milan Tanchangya, de 43 anos, afirma que o machan elevou a renda anual dele para entre 70.000 e 80.000 takas.
- A prática aumenta a produção de vegetais, reduz erosão das encostas e protege as culturas de pragas e alagamentos.
- Especialistas dizem que o machan não substitui totalmente o jhum, mas reduz a pressão sobre a terra; recomendam políticas para preservar a identidade cultural dos jhumia.
Mudança na produção agrícola dos CHT: jhum perde espaço para machan
Um novo método de cultivo, conhecido localmente como machan, conquista áreas de colinas no sudeste de Bangladesh, substituindo gradualmente a prática tradicional de jhum. Agricultores relatam rendimentos estáveis e menos erosão do solo. A mudança ocorre nos distritos de Bandarban, Rangamati e Khagrachhari.
Milan Tanchangya, 43 anos, deixou o jhum para cultivar cucumbers, melões amargos e outras hortaliças em treliças de bambu elevadas. O sistema permite colheitas sazonais mais estáveis e protege o solo das encostas íngremes, segundo ele.
O machan já mostrou resultados expressivos: Milan afirma ganhar entre 70 mil e 80 mil takas adicionais por ano. Em Amtali, Bandarban, a plantação fica abundante com o cultivo elevado, reduzindo pragas e doenças.
A queda na prática tradicional também é registrada por outros agricultores. Manue Mro, 53, abandonou o jhum há cerca de oito anos para investir em pomares de frutas, citando escassez de terras e menor produtividade como razões centrais.
Dados oficiais reforçam o movimento: no ciclo 2014-15, a área de jhum em Bandarban somava 9.050 hectares; em 2024-25 caiu para 8.270 hectares. O número de produtores na região subiu de 45.642 para 56.524 no mesmo período, segundo a DAE.
Machan como alternativa econômica
Liton Marma, 53, mostra como a técnica funciona na prática: treliças de bambu recebem as culturas, que ficam suspensas acima do solo. Com redes cobrindo as áreas, as plantas recebem iluminação adequada sem contato direto com o chão.
Especialistas da DAE destacam que a expansão do machan tem ocorrido principalmente nas zonas de Sadar e Rowangchari. Em 2022-23, a área cultivada com machan era de 2.282 hectares; em 2024-25 subiu para 2.827 hectares.
Tipu Tanchangya, da Rowangchari, observou colheitas de frutos como melão-de-espinho e cabaça com rendimentos elevados. Em uma temporada, ele colheu cerca de 2,4 toneladas de cabaça, vendidas a 55 takas por kg em média.
Segundo a DAE, agricultores que adotaram o machan relatam maior solvente e rendimentos superiores aos do jhum, mesmo em condições climáticas adversas. Técnicas elevadas reduzem problemas de pragas, fungos e alagamento.
A adoção do machan é interpretada por autoridades como uma resposta às pressões de uso da terra e à deterioração do solo. O deslocamento das famílias indígenas é visto como uma transformação necessária, mas algumas lideranças ressaltam que o jhum continua parte da identidade cultural.
Prashanta Tripura, diretor da Hunger Project-Bangladesh, argumenta que o jhum permanece como identidade cultural de várias comunidades. Ele diz que políticas públicas devem proteger o método tradicional dentro de uma abordagem de identidade indígena.
Desafios e perspectivas
Especialistas alertam que o machan não substitui completamente o jhum, que envolve saberes culturais e práticas rituais enraizadas na região. A manutenção de áreas de cultivo diversas é vista como estratégia para manter a biodiversidade local.
Em termos agroecológicos, o machan preserva cobertura vegetal nas encostas e reduz erosão, ao contrário do jhum, que costuma deixar o solo exposto após a queima e o desmatamento.
A prática contemporânea surge como resposta à necessidade de renda estável e à sustentabilidade de solos em declínio. Agricultores e técnicos concordam que a transição exige monitoramento, apoio técnico e políticas de proteção da identidade cultural.
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