- O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cria o assentamento agroextrativista Elizabeth Teixeira, para 21 famílias da Barra de Antas, em Sapé e Sobrado, ocupando 133 hectares hoje usados para cana-de-açúcar.
- A disputa tem início em dois de abril de mil novecentos e sessenta e dois, com o assassinato do líder camponês João Pedro Teixeira.
- O fim do conflito na Paraíba marca o término de um dos mais longos conflitos agrários do país.
- O proprietário da área aceitou vender o terreno por oito milhões e trezentos mil reais, em acordo fechado no ano passado, após quase duas décadas de tentativa de negociação.
- Elizabeth Teixeira, hoje com cem anos, é viúva de João Pedro e liderou a luta pela posse da área durante a ditadura; a casa símbolo da luta funciona como memória do movimento.
Trata-se do fim oficial do conflito agrário mais antigo do país, agora encerrado na Paraíba. A disputa envolve a área da fazenda Antas, entre Sapé e Sobrado, onde 21 famílias serão transferidas para um assentamento agroextrativista. O acordo consolida a criação do projeto Elizabeth Teixeira, que ocupará 133 hectares.
A origem do processo remonta a 2 de abril de 1962, quando o líder camponês João Pedro Teixeira foi assassinado em uma emboscada promovida por fazendeiros locais. O episódio ficou marcado na memória histórica das Ligas Camponesas, movimento rural que atuava desde a década de 1950.
A criação do assentamento é resultado de décadas de negociações e de tentativas anteriores de desapropriação, que foram vetadas pela Justiça. Hoje, o Incra formaliza a concessão de uso da área, que passa a abrigar as famílias presentes no acampamento Barra de Antas há 28 anos.
Elizabeth Teixeira: a figura central
Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro, comandou a luta pela posse da terra após a morte do marido. Ela enfrentou perseguição durante a ditadura e viveu na clandestinidade por 17 anos. Hoje, a iniciativa é apresentada como uma reparação histórica pela atuação da liderança feminina na resistência camponesa.
Como será o assentamento
O valor acordado para a venda da área foi de 8,3 milhões de reais em 2022, com transferência para uso pelas famílias. Os contratos autorizam cada família a explorar a área de forma compartilhada, preservando a função alimentar da terra.
As famílias contempladas são formadas por trabalhadores da fazenda que, ao longo dos anos, foram expulsas para permitir a plantação de cana-de-açúcar. A expectativa é que a área passe a produzir alimentos, complementando o sustento local.
Contexto de legado e recursos
O território fica próximo ao Memorial das Ligas e das Lutas Camponesas, local que relembra a casa onde João Pedro viveu na década de 1960. O processo envolveu prolongadas negociações técnicas, iniciadas em 2014, com desfecho em 2023, quando o proprietário aceitou vender a área destinada à reforma agrária.
O Incra destaca que o acordo preserva a memória histórica da região e sustenta a continuidade da mobilização camponesa, com foco na produção sustentável e no desenvolvimento local.
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