- Assessor do aiatolá Khamenei, Mohsen Rezaei, disse que negociações entre EUA e Irã dependem da liberação de 24 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados.
- Informações iniciais indicavam que o Irã buscava 12 bilhões de dólares desembolsados imediatamente após um pacto interino, com os demais 12 bilhões em fase posterior.
- Washington tem resistido à liberação, argumentando que abriria espaço para reduzir a pressão sobre Teerã.
- Rezaei afirmou que o problema financeiro seria usado para construir confiança, mas alertou que, caso os EUA retomem hostilidades, o Irã pode ampliar o conflito para o Oceano Índico, Bab el-Mandeb, Mar Vermelho e Mediterrâneo.
- O assessor também afirmou que Irã e Omã devem administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz, posição rejeitada pelos EUA, e descartou encontro entre Trump e o líder iraniano neste momento.
Mohsen Rezaei, assessor do aiatolá Ali Khamenei, afirmou em entrevista à CNN que as negociações entre EUA e Irã dependem da liberação de 24 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. A declaração ocorreu nesta sexta-feira, 5, e, segundo ele, o desbloqueio é condição-chave para avançar em um acordo de paz.
Segundo o assessor, caso o governo de Donald Trump não atenda ao pedido, as negociações podem entrar em impasse e até ser retomado o conflito. Rezaei disse que a responsabilidade pela mudança de rumo estaria em Washington, com a “bola no campo” dos norte-americanos.
Dependência de desbloqueio de ativos
Autoridades dos EUA resistem à liberação integral dos recursos, argumentando que o desbloqueio reduziria um dos principais instrumentos de pressão sobre Teerã. A CNN informou que a proposta inicial previa liberar metade do montante imediatamente após um acordo provisório, com o restante em etapas.
Trump tem insistido que qualquer acordo seja mais rigoroso que o pacto nuclear de 2015 e rejeita medidas que possam ser vistas como transferência de recursos ao Irã. O presidente afirma ainda que não permitirá a obtenção de uma arma nuclear pelo país.
Perspectiva de confiança e risco de escalada
Rezaei afirmou que a liberação de ativos serviria para construir confiança entre as partes e abriria “um novo horizonte” nas relações bilaterais. Em contrapartida, alertou que, se os EUA retomarem hostilidades, o Irã poderia expandir o conflito para o Oceano Índico, o estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo. Ele, no entanto, minimizou a probabilidade de escalada.
O assessor também reivindicou a soberania iraniana e de Omã sobre o Estreito de Ormuz, responsável por grande parcela do tráfego de petróleo. Disse que ambos os países deveriam administrar conjuntamente a hidrovia, argumento que foi rejeitado pelos EUA.
Situação atual e contatos
Rezaei afastou a possibilidade de um encontro entre Trump e o líder iraniano. Segundo ele, as negociações ainda estão na primeira fase e o rompimento do impasse depende de ações dos Estados Unidos. Trump vinha sugerindo, recentemente, uma possível reunião caso as tratativas avancem.
No pronunciamento, o assessor destacou que o Irã não reconhece nenhuma intervenção externa e mantém posição de soberania sobre seus recursos. As declarações foram dadas com foco na dinâmica entre as duas potências e no papel dos recursos congelados como elemento central do diálogo.
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