- Dia Nacional do Café é celebrado em 24 de maio e marca o início da colheita em várias regiões do Brasil.
- Historicamente, as primeiras mudas chegaram no início do século XVIII, houve exportação a partir de 1840 e a cafeicultura foi uma das principais atividades econômicas do país.
- Entre fim de 2025 e início de 2026, o cultivo brasileiro correspondia a cerca de 31,7% da produção mundial; 44% dos entrevistados, segundo a ABIC, consomem entre três e cinco xícaras por dia.
- O café também ganha espaço na gastronomia, atuando como intensificador de sabor em marinadas, molhos, massas, sobremesas e até em defumação indireta; pode harmonizar com chocolate, frutas secas, especiarias e elementos ácidos.
- Exemplo de prato: paleta suína com glacê de café, purê de batata defumada e farofa crocante de cacau e café, com café usado na marinada, no glacê e na finalização, destacando o café como elemento estruturante.
O Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, marca o início da colheita em várias regiões do Brasil. O cultivo chegou ao país no início do século 18 e, com o tempo, saiu do consumo local para exportação e produção em larga escala.
Entre o fim do século 18 e o começo do 19, a produção aumentou e o Brasil passou a exportar café, com expansão expressiva por volta de 1840. A cafeicultura foi uma atividade econômica central por décadas, consolidando o hábito de consumo no dia a dia.
Entre o fim de 2025 e o início de 2026, a produção brasileira de café equivalia a cerca de 31,7% do total mundial, segundo a ABIC. A pesquisa de 2025 mostra que 44% dos entrevistados consomem de três a cinco xícaras diárias, citando melhoria do humor como principal motivação.
Café também ganha espaço na gastronomia
O café é utilizado além da bebida: atua como intensificador de sabor e elemento estrutural em pratos. “Ele funciona como matriz aromática complexa, não apenas como bebida”, explica Willian Zarpelon, professor de Gastronomia na UniRitter.
Marinadas, caldas, massas, sobremesas e processos de defumação indireta estão entre as possibilidades. O café oferece amargor, acidez, doçura e notas tostadas, variando conforme origem e torra, permitindo combinações com chocolate, frutas secas, especiarias e notas florais.
Presença em pratos salgados
Apesar das sobremesas serem o uso mais comum, o café aparece em pratos salgados, especialmente para equilibrar gordura e intensificar sabores. Em carnes bovinas e suínas, ele pode realçar o sabor sem dominar o prato, segundo o professor. Molhos reduzidos e jus ganham nuances terrosas com a adição de café.
Zarpelon recomenda pensar na harmonização: o café combina com gordura, açúcar, especiarias quentes e acidez para criar contrastes. Gorduras como manteiga, carnes, chocolate, cogumelos e frutas cítricas aparecem como aliados em preparos com café.
Cuidados e dicas de uso na culinária
Um erro comum é o excesso, que torna o prato amargo. A qualidade importa: torra média ajuda a equilibrar acidez, doçura e amargor. Cafés especiais arábicos são indicados pela complexidade e previsibilidade do resultado.
A preparação varia com a aplicação: filtrado resulta em bebida mais limpa, bom para preparos delicados; prensa francesa preserva óleos, adequado para molhos e reduções; espresso exige cuidado para não dominar o prato. O método ideal depende do objetivo sensorial.
Técnicas mais valorizadas
As técnicas-chave são infusão, redução e emulsão. A infusão extrai propriedades do grão, a redução concentra sabores e textura, e a emulsão cria ligações entre ingredientes. Gorduras ajudam a suavizar o amargor e ampliar a textura do prato.
Para quem começa a usar café na cozinha, a sugestão é iniciar com pequenas quantidades e ajustar aos poucos.
Receita: paleta suína com glacê de café, purê de batata defumada e farofa de cacau e café
A receita utiliza o café como elemento estruturante em três momentos: marinada, glacê e finalização da farofa. A carne é balanceada pela gordura, pelo dulçor do glacê e pela doçura do purê defumado.
Carne: paleta suína, café coado, alho, alecrim e sal. Glacê: café, caldo de carne, açúcar mascavo e manteiga. Purê: batata, creme de leite, manteiga e sal. Farofa: farinha de mandioca, café moído, cacau, manteiga e sal.
Marinada e cocção: carne marinada por 6 a 12 horas, cozida lentamente até ficar macia. Glacê: reduzir café com caldo até ganhar consistência, depois incorporar manteiga. Purê: incorporar creme e manteiga, ajustar sal; defumação opcional. Farofa: dourar manteiga, tostar mandioca, adicionar café e cacau.
Montagem: servir a paleta sobre purê defumado, regar com glacê de café e finalizar com a farofa crocante. O conjunto busca destacar a presença do café em distintas camadas sensoriais.
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