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Irmãs criam healthtech para monitorar qualidade do sono em casa

SoftBand, criada pela SleepUp, atinge até 95% de precisão frente à polissonografia e reduz sintomas de insônia em cerca de 30% entre pacientes monitorados

As irmãs Renata Bonaldi e Paula Redondo, cofundadoras da SleepUp — Foto: Divulgação
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  • SoftBand, tecnologia desenvolvida pela SleepUp, monitora sono em casa com precisão de 80% a 95% em relação à polissonografia.
  • Em pacientes acompanhados, a faixa reduziu cerca de 30% os sintomas de insônia.
  • A plataforma captura mais de duzentas métricas por paciente, combinando dados subjetivos e objetivos para personalizar o tratamento.
  • A SleepUp já recebeu aproximadamente R$ 10 milhões em investimentos desde 2020 e foca em IA, modelos de negócios B2B e parcerias internacionais.
  • O hardware é produzido na China e montado em uma fábrica no interior de São Paulo; a empresa possui aprovação da Anvisa, Anatel e Inmetro.

A SleepUp lançou a SoftBand, faixa tecnológica para monitorar sono domiciliar, desenvolvida pela empresa desde 2019. A invenção busca medir o sono com EEG no conforto de casa, oferecendo leitura clínica próxima à polissonografia sem deslocamento do paciente. A iniciativa foi apresentada no último mês de abril.

A startup é capitaneada pelas irmãs Renata Bonaldi e Paula Redondo. A empresa já recebeu apoio de Fapesp e participou de programas internacionais de inovação no Reino Unido, Portugal e China. Com seis fomentos aprovados, a SleepUp aposta em pesquisa contínua para aperfeiçoar a leitura dos estágios do sono.

A SoftBand integra eletrodos flexíveis e sensores fisiológicos que captam sinais cerebrais diretamente, diferente de dispositivos de bem-estar. A coleta ocorre com voluntários em estudos que comparam EEG da faixa, polissonografia e leitura de oximetria, para treinar o algoritmo proprietário.

O objetivo é aproximar a acurácia do monitor domiciliar à da clínica hospitalar, mantendo o paciente em casa.

A plataforma da SleepUp gera mais de 200 métricas por usuário, combinando dados subjetivos e objetivos. O EEG, o oximetro e dados de wearables alimentam o software com o objetivo de personalizar o protocolo terapêutico para cada perfil. A tecnologia está protegida por uma patente que envolve o uso conjunto de software, EEG, oximetria e IA para tratamento sob medida.

No Brasil, o sistema de saúde apresenta filas para polissonografia no SUS e alta prevalência de distúrbios do sono. Segundo a empresa, cerca de 30% da população tem apneia e 10% faz uso diário de soníferos sem tratar a origem. Bonaldi aponta que a terapia cognitivo-comportamental, ainda pouco disponível, é um tratamento eficaz que o produto tenta facilitar.

A estrutura financeira inclui investimentos totais de cerca de R$ 10 milhões desde 2020, com aproximadamente 70% destinados a tecnologia. O aporte mais recente é um Pipe da Fapesp, voltado a IA, modelos de linguagem e gêmeos digitais para ampliar a personalização terapêutica.

A produção do hardware ocorre entre China e interior de São Paulo, com fabricação final na indústria paulista, sob registro da marca. A equipe soma sete doutores, oito profissionais de tecnologia e três desenvolvedores de algoritmos. Aprovações da Anvisa, Anatel e Inmetro já foram obtidas.

O modelo de negócios atua em dois pilares: B2B Saúde, com instituições de saúde, e B2B Corporativo, com benefícios oferecidos por empresas. Em ambos os casos, o contrato é com a instituição, que paga mensalidade com licenças e comodato dos dispositivos.

No Brasil e no exterior, o comprador paga por laudo e pode usar os kits com diversos pacientes. Ao final, o paciente ganha acesso ao aplicativo para continuidade do tratamento. A empresa ressalta que o hardware retorna para regeneração após o término dos contratos.

A SleepUp projeta distribuir cerca de mil unidades no Brasil nos próximos 24 meses, atingindo 10% a 20% da base médica nacional, o que equivale a aproximadamente 50 mil profissionais. Na China, há negociações com cinco clientes B2B e um piloto de 100 unidades em andamento.

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