- Lúcio Maia, ex-guitarrista da Nação Zumbi, lançou o segundo disco solo homônimo, com oito faixas instrumentais que exploram psicodelia, futurismo e diversas sonoridades.
- O artista apresenta a ideia de psicodelia como dissidência do surrealismo e do dadaísmo, buscando romper padrões sem abandonar o passado.
- O álbum abre com a faixa “Cogumelo de Vidro”, que guia a narrativa sonora, oferecendo uma mistura de estilos como baião, surf, reggae, dub, soul e funk.
- A faixa “L’amour” é a única com voz no disco e presta homenagem a Serge Gainsbourg, trazendo narração em francês.
- O projeto valoriza uma estética cinematográfica, inspirada no cinema expressionista alemão, com a guitarra sendo “vocal” das melodias e uma busca por estímulo sensorial, não apenas técnica.
Lúcio Maia, ex-guitarrista da Nação Zumbi, lança seu segundo disco solo homônimo. O álbum, com oito faixas instrumentais, aposta na psicodelia, no futurismo e na diversidade de timbres, mantendo o fio de ruptura que o artista sempre cultivou.
Maia define psicodelia como uma dissidência psicotrópica do surrealismo e do dadaísmo. Segundo ele, o dadaísmo rompe padrões mentais, enquanto o surrealismo rompe a compreensão comum, abrindo espaço para experimentação contínua.
O disco é composto por guitarras com timbres psicodélicos, arranjos precisos e climas distintos que transitam entre referências de estilos variados. A ideia central é justamente romper convenções, olhando para frente sem abandonar o passado.
Sobre o futurismo, Maia afirma concordar com a noção de visão voltada ao futuro, mas rejeita a ideia de abandonar completamente o passado. A evolução musical, para ele, passa por não repetir velhas fórmulas, mantendo o diálogo entre tempos.
Antes de retorno aos palcos, Maia havia se afastado por três décadas de atividade constante com a Nação Zumbi. Entre 2008 e 2013 ele saiu da banda, acompanhou Marisa Monte em turnê e, em 2020, tornou-se mais reservado na produção de discos.
O ponto de virada ocorreu em 2021, quando lançou uma faixa de forte timbre psicodélico chamada Horas Iguais. A partir dali, o artista começou a trabalhar em um projeto mais desprendido, que ganhou forma no novo álbum.
Entre as faixas, destacam-se Cogumelo de Vidro, que abre o disco e estabelece o tom, com três momentos distintos. A composição passou por ajustes para manter a narrativa coesa ao longo do listening, sem perder a espontaneidade.
Outra faixa de destaque é L’amour, que traz voz única em francês numa homenagem a Serge Gainsbourg. A referência reflete a admiração de Maia por um artista completo, que explorou diversos ritmos e formatos ao longo da carreira.
Fetish Motel remete a uma atmosfera de cinema expressionista, lembrando filmes noir de décadas passadas. Maia descreve a sonicidade da guitarra como voz que conduz a narrativa, em uma página sonora inspirada no cinema alemão dos anos 20 e 30.
Em termos de concepção, Maia busca a música como estímulo sensorial acima de demonstração técnica. A trilha sonora de cinema, segundo ele, ampliou a criatividade, ao transformar ideias iniciais em instrumentação estruturada com foco emocional.
O disco reforça a ideia de que Maia não recua diante de mudanças. A guinada sonora e a mistura de referências de Luiz Gonzaga a Lee Perry ilustram uma carreira voltada para o futuro, sem deixar de lado as raízes.
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