- Rosana Paulino, paulistana filha de faxineira e pintor de paredes, é artista plástica de reconhecimento internacional e curadora destacada no MAR, no Rio de Janeiro.
- Ela comandou, ao lado de Adriana Varejão, o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, em uma edição composta apenas por mulheres, com o título Comigo Ninguém Pode.
- Paulino integra a delegação brasileira na 61ª Bienal de Veneza e ganhou prêmios como o Munch Award e o Jane Lombard de Arte e Justiça Social.
- Em entrevista, afirma que o Brasil tem uma visualidade forte, principalmente entre artistas negros e indígenas, e que o racismo científico precisa ser compreendido para entender a violência histórica.
- Morando em Pirituba, São Paulo, ela planeja transformar o ateliê em um centro de pesquisas com biblioteca sobre arte, diáspora e questões afro-brasileiras, promovendo atuação comunitária e educação artística local.
Rosana Paulino, artista plástica paulistana, chegou ao MAR no Rio de Janeiro para lançar uma série de minidocumentários sobre 20 artistas negros brasileiros. O evento aconteceu no Dia da Consciência Negra e contou com a presença da curadora Diane Lima e do diretor Fabiano Maciel. O foco foi apresentar trabalhos de excelência de mulheres negras e negros da nossa artistaria.
A mineira de origem e curadora de Veneza, a brasileira Rosana Paulino, tornou-se referência global na arte contemporânea. Nos últimos anos, realizou exposições em Buenos Aires, Bruxelas e Nova York, além de ter obras adquiridas pela Tate Modern e pelo MoMA. O reconhecimento internacional vem acompanhado de prêmios, como o Munch Award e o Jane Lombard de Arte e Justiça Social.
Paulino atua como curadora do Pavilhão do Brasil em Veneza, acompanhado por Adriana Varejão. A exposição intitulada Comigo Ninguém Pode traz a visão de uma geração feminina e negra, com foco na relação entre raça, natureza e memória. A curadoria é de Diane Lima, primeira mulher negra nesse cargo.
Em Veneza, a obra de Paulino a acompanha no conjunto de peças que exploram a ideia de proteção, resiliência e sobrevivência. A série Senhora das Plantas, com a instalação e as cenas de transformação, destaca a participação de mulheres negras na cena artística brasileira contemporânea.
Entre a prática artística e a militância educativa, Paulino também é reconhecida como mentora de jovens artistas. Ela ajudou a abrir espaço para uma nova geração de vozes negras no cenário nacional, atuando como professora e orientadora em iniciativas que conectam Brasil, África e América Latina.
Natural de São Paulo, Paulino cresceu na Zona Norte, em uma família de trabalhadores. A mãe, faxineira, bordava para complementar a renda, e o pai trabalhou como pintor de paredes. A infância na Freguesia do Ó impulsionou o interesse pela natureza e pela técnica, que mais tarde se tornou a base de sua obra.
Com formação em biologia e artes visuais, ela seguiu para a USP e realizou doutorado na Escola de Comunicações e Artes. A experiência fora do país, em Londres, foi decisiva para acompanhar debate sobre gravura e artes visuais, moldando seu percurso acadêmico e artístico.
Hoje, Paulino mantém o ateliê em Pirituba, São Paulo, e planeja transformar o espaço em um centro de pesquisa para estudantes e jovens artistas. A ideia é criar uma biblioteca de referência em arte, diáspora e relações internacionais, fortalecendo uma formação brasileira com influência global.
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