- O 4chan, por meio de usuários da página /r/, funciona como ponto de origem para a criação de imagens íntimas não consensuais (NCII) por meio de deepfakes, com pedidos para que “mestres” modifiquem fotos de mulheres.
- Um exemplo descrito mostra uma mulher em uma foto original, com pedido de “mágio” para que o deepfake a deixe nua ou em situações sexualizadas, mantendo a jaqueta parcialmente visível; após a edição, surgem elogios públicos de quem solicitou.
- Pesquisas do Instituto de Estratégia (Institute for Strategic Dialogue, ISD) indicam que esses conteúdos se disseminam para plataformas privadas como Telegram e Discord, além de seguir um padrão hierárquico entre solicitantes e “magos”.
- A pesquisadora Leonie Oehmig relata que a maioria das vítimas são mulheres e que as comunidades online criam um conjunto de normas onde homens que produzem as imagens recebem elogios e poder, reforçando comportamentos de misoginia.
- O estudo também aponta que, além de solicitações explícitas de humilhação, há links para aplicativos de nudificação e que atividades podem evoluir para transações financeiras em plataformas menos visíveis; a ISD afirma que o ecossistema é extenso e ainda não totalmente mensurável.
O episódio envolve a prática de nudificação não consentida de imagens, realizada a partir de pedidos em comunidades online. Usuários do 4chan, na seção /r, postaram pedidos para transformar fotos de mulheres em deepfakes sexuais, com foco em nudez e fetiches. Narrativas de apoio a esses pedidos foram publicadas e atendidas por outros membros.
A pesquisa resultante aponta que esse tipo de conteúdo se dissemina de forma colaborativa entre plataformas, partindo de 4chan para Telegram e Discord, entre outros. As vítimas são majoritariamente mulheres; a dinâmica costuma envolver criadores chamados de wizards, que executam as edições, enquanto outros elevam o status do grupo com elogios e incentivos.
O estudo, publicado pelo Institute for Strategic Dialogue, foi liderado pela pesquisadora Leonie Oehmig, com base em milhares de mensagens entre dezembro de 2025 e março de 2026. Oehmig descreve um padrão hierárquico em que homens que fornecem material e comandos dominam o processo, enquanto outros pedem provas de habilidade.
Segundo a análise, muitos pedidos incluem cenários degradantes ou humilhantes, com referências a situações de constrangimento físico ou simbólico. O estudo também destaca que pedidos de nudificação tendem a envolver pessoas próximas às alvos, como familiares, colegas ou parceiros, sem o conhecimento das próprias vítimas.
A pesquisa indica que, mesmo sem oferecer números exatos, há uma rede extensa de publicação e distribuição, com links para aplicativos de nudificação e encaminhamento para plataformas menos visíveis para facilitar transações financeiras. O ISD planeja novas entregas de dados que estariam relacionados a mais de 100 mil posts sobre o tema em diferentes plataformas.
Em resposta, o ISD ressalta a necessidade de maior responsabilização de plataformas e de políticas públicas para coibir esse tipo de violência digital. O objetivo é mapear a escala do problema, esclarecer como ele se reorganiza entre comunidades online e indicar caminhos para prevenção e aplicação de leis.
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