- Iêda Patrício Novais, de 75 anos, é conselheira e uma das pioneiras no tema governança no país, defendendo que o conselho não é segunda carreira para executivos.
- Desde 2000, participou de 12 conselhos e de mais 17 comitês, tendo coordenado 16, principalmente de auditoria e nomeações.
- Ela critica a busca de executivos acima de 45 anos por cursos de conselheiro para transição de carreira, destacando que o vínculo é temporário e envolve dever fiduciário.
- A transição deve começar antes da saída da carreira executiva, com participação em associações e comitês e networking qualificado, com poucos patrocinadores que indiquem o profissional.
- Entre as melhores práticas para quem está em conselhos, ela cita envio antecipado de material, pontualidade, apresentações enxutas (até sete slides), foco na clareza do objetivo e uso de instrumentos visuais para evitar excesso de detalhes.
Iêda Patrício Novais, 75 anos, representa uma visão crítica sobre a expansão de cursos voltados a conselheiros como caminho de transição de carreira. Ela atua há décadas no universo corporativo, já foi CEO de empresas como Mariaca Associados e BDO Trevisan, e hoje figura entre as pioneiras na governança no Brasil. O alerta veio em uma conversa realizada no Clube de Campo de São Paulo, onde reside.
A conselheira destaca que atuar em conselhos não é uma carreira paralela, mas uma oportunidade temporária de colocar expertise à disposição de um colegiado. Desde 2000, ela participa de 12 conselhos e de 17 comitês, tendo coordenado 16 deles, principalmente de auditoria e nomeações. O compromisso envolve responsabilidade pessoal e dever fiduciário, diferentemente de um emprego tradicional.
Segundo a experiência de Iêda, a relação entre profissional e organização é marcada por foco, transparência e aprendizado contínuo. A expectativa de ganhos imediatos elevados é, na prática, improvável, salvo em grandes empresas de capital aberto. Ela recomenda iniciar a transição antes da saída da carreira executiva, com participação em associações e comitês para entender a dinâmica de um conselho. O networking deve ser qualificado, com poucos patrocinadores que indicam a pessoa para pares e oportunidades.
Práticas e conduta esperadas em conselhos
Iêda aponta cuidados básicos para quem chega ao colegiado. O material deve ser encaminhado com pelo menos cinco dias de antecedência para leitura. A pontualidade é essencial, assim como a objetividade na apresentação, com uso de poucos slides, de preferência visuais e diretos ao ponto. A clareza sobre o objetivo do encontro deve ficar evidente, definindo se o intuito é decisão, orientação ou aprovação.
Ela também enfatiza a necessidade de preparar a pauta com antecedência, evitando interrupções durante as reuniões. O método inclui carregar um caderno de anotações para registrar pontos relevantes, dúvidas e ações. Em síntese, a prática recomendada envolve leitura prévia, apresentação enxuta, linguagem objetiva e foco nas perguntas que ajudam a avançar a agenda. Procurar entender o que se espera do conselho é uma condição indispensável para a atuação eficaz.
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