- Pesquisa da NielsenIQ, em 2025, com 8,2 mil lares, aponta que quase 75% dos domicílios estão desconfortáveis financeiramente e 54% estão no limite para virar insolventes.
- Dentre os que já estão inseguros, cerca de 20% têm dívidas ou contas em atraso, e aproximadamente 24% desse grupo vivem no Nordeste.
- Em contraste, 25% dos lares dizem estar financeiramente confortáveis; a maior participação aparece no Sul (23%) e em Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro (20%).
- Rendimento médio mensal dos trabalhadores: Norte, R$ 2.238; Nordeste, R$ 2.015; a média nacional é de R$ 2.851.
- Nordeste domina a diferença regional: 24,3% dos lares com problemas financeiros estão na região, gerando um gap de até dez pontos percentuais em comparação aos lares confortáveis.
Quase 75% dos lares brasileiros estão desconfortáveis com a situação financeira, e 54% estão no limite da insolvência, segundo a pesquisa Homescan da NielsenIQ (NIQ) de 2025, obtida pelo Valor. O estudo acompanha 8,2 mil domicílios no país.
Entre as áreas mais impactadas, o Nordeste aparece com maior representatividade entre os lares com problemas financeiros. Dados indicam que 24,3% dos domicílios nessa faixa de renda estão na região. O levantamento aponta ainda que 14,3% dos lares confortáveis estão no Nordeste, evidenciando desigualdade regional.
No recorte por renda, trabalhadores de Norte e Nordeste recebem menos que a média nacional. O rendimento mensal médio nessas regiões fica em torno de R$ 2.238 e R$ 2.015, respectivamente, ante a média nacional de R$ 2.851, conforme o Censo 2022/IBGE.
Região Nordeste
A NIQ aponta que, dentro do conjunto de lares em situação difícil, a região concentra parte relevante da população endividada. No Maranhão, Piauí e outros estados, o peso de dívidas e contas atrasadas é maior em relação ao restante do Brasil, contribuindo para a desigualdade regional de consumo.
Cenário de consumo e inflação
O estudo destaca ainda que o preço de combustíveis afeta consumo de famílias de baixa renda, com o diesel e a gasolina registrando altas expressivas entre março e maio. O impacto é reforçado pelo aumento recente da inflação alimentar, segundo economistas ouvidos pela NIQ.
Em áreas com menor renda, o consumo de alimentos e itens de higiene responde por mais de 60% da renda, enquanto famílias de renda intermediária sentem maior peso de despesas domésticas, acima de 50% do orçamento.
Desenrola Brasil e perspectivas
O governo lançou a segunda edição do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas com desconto de até 90%. Analistas estimam que o efeito no curto prazo ainda é limitado, com melhorias no balanço financeiro e acesso a crédito não se traduzindo automaticamente em maior renda disponível.
A pesquisa da NIQ também aponta variações regionais significativas entre estados. Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro aparecem como áreas com maior parcela de lares estáveis, ao contrário do Nordeste, onde a disparidade entre endividados e confortáveis é mais pronunciada.
A análise de especialistas ressalta que o país vive uma polarização de consumo, com dinâmica desigual entre regiões e classes. O aumento da inadimplência, aliado a juros elevados, acarreta impactos distintos sobre o comportamento de compra das famílias.
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