- A Nvidia reportou receita no primeiro trimestre de US$ 81,62 bilhões, acima da expectativa de US$ 78,86 bilhões, com guidance para o segundo trimestre de US$ 91 bilhões, acima da previsão de US$ 86,84 bilhões.
- O chip Vera, CPU criada para workloads de inferência, foi apresentado como porta de acesso a um mercado de US$ 200 bilhões, fora do patamar de US$ 1 trilhão previsto para a linha Blackwell/Rubin.
- Huang estima que a receita da Vera alcance US$ 20 bilhões até o fim deste ano fiscal, e disse que a Vera pode ser a segunda maior contribuição de vendas. A plataforma completa Vera Rubin deve ser lançada ainda neste ano.
- A demanda por infraestrutura de IA fica competitiva: Google, Amazon e Microsoft investem em silício sob medida para inferência, enquanto Nvidia enfrenta limitações de fornecimento, com compromissos de cadeia de US$ 119 bilhões no primeiro trimestre.
- A companhia anunciou recompra de ações de US$ 80 bilhões e elevaria o dividendo trimestral para US$ 0,25 por ação; apesar disso, as ações caíram cerca de 1,6% após o encerramento do pregão, com questionamentos sobre a durabilidade do crescimento até 2027–2028 e a competição em silício personalizado.
A Nvidia reportou resultados no primeiro trimestre com receita de US$ 81,62 bilhões, superando estimativas de US$ 78,86 bilhões. A empresa também projetou US$ 91 bilhões para o segundo trimestre, acima da previsão de US$ 86,84 bilhões dos analistas. O desempenho ajudou Jensen Huang a manter o protagonismo da companhia.
No call com analistas, Huang destacou a Vera, nova linha de processadores centrais que abre um mercado de US$ 200 bilhões, fora do impulso já estimado para a família Blackwell/ Rubin entre 2025 e 2027. Ele espera que a receita da Vera chegue a US$ 20 bilhões no fim deste exercício fiscal, tornando-a a segunda maior fonte de lucro da empresa.
A Vera e o pivô de inferência
A motivação é simples: clientes grandes estão desenvolvendo seus próprios chips. Google, Amazon e Microsoft devem investir mais de US$ 700 bilhões neste ano em infraestrutura de IA e, simultaneamente, estão movendo recursos para silício personalizado para rodar modelos de IA. Intel e AMD também promovem CPUs para tarefas de inferência.
A resposta da Nvidia é a Vera, desenvolvida com tecnologia da Groq, licenciada por cerca de US$ 17 bilhões, voltada para workloads de inferência. O pacote Vera Rubin, que combina a Vera CPU com GPUs Rubin, será lançado ainda neste ano.
Desafios de suprimento
Huang reconheceu uma limitação: a oferta. A empresa estima manter restrições de fornecimento ao longo da vida útil da Vera Rubin. Para antever interrupções, a Nvidia aumentou seus compromissos de cadeia de suprimentos para US$ 119 bilhões no primeiro trimestre, frente a US$ 95,2 bilhões no trimestre anterior.
A companhia também divulgou um programa de recompra de ações de US$ 80 bilhões e elevou o dividendo trimestral para US$ 0,25 por ação, sinalizando confiança financeira apesar das expectativas de demanda e de possíveis gargalos na cadeia.
Reação de investidores
Mesmo com os resultados acima das expectativas, as ações caíram 1,6% após o fechamento. Analista da eMarketer, Jacob Bourne, disse que o desempenho já parece precificado pela continuidade do bom momento, destacando a dúvida sobre a durabilidade da AI até 2027 e 2028, com a concorrência em ascensão.
Huang rebateu com números sobre um segmento cada vez maior de clientes de nuvem voltados para IA, cuja participação já se aproxima da dos hyperscalers e cresce mais rápido que o gasto trimestral. A Vera está no centro dessa argumentação, mas o sucesso depende do funcionamento da cadeia de suprimentos.
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