- A produção audiovisual com temas de saúde costuma usar consultores médicos para aumentar a verossimilhança das cenas.
- Gerson Salvador, médico infectologista da USP, atua como consultor em filmes e séries, incluindo trabalhos para Netflix e Globoplay.
- A linguagem médica é adaptada conforme a narrativa, com cenas de procedimentos que podem exigir a participação de médicos da equipe para maior realismo.
- A preparação envolve imersões do elenco em ambientes hospitalares, entrevistas com residentes e, às vezes, oficinas com pacientes sob mediação de especialistas.
- O papel dos consultores vai além do roteiro, influenciando cenografia e direção de arte, e destacando a importância da saúde pública nas narrativas, como em Sob Pressão.
A consultoria médica nos filmes e séries funciona como ponte entre o mundo da saúde e as narrativas da tela. Profissionais acompanham roteiristas e atores para dar verossimilhança às cenas, especialmente em temas complexos como procedimentos e diagnósticos.
Segundo o médico infectologista Gerson Salvador, que atua como consultor, a adaptação para as telas acontece de forma natural. Mesmo com jargões da medicina, o público entende pelo contexto da história.
Além de orientar o roteiro, o trabalho envolve a participação na preparação de elenco e em atividades de imersão no ambiente hospitalar. Em alguns casos, médicos escalados ajudam a executar cenas técnicas.
Preparação técnica e interação com o elenco
Gerson destaca que cenas de cirurgia podem exigir a presença de profissionais da área para manter o realismo. Em uma experiência mencionada, um médico da equipe realizou a colocação de campos estéreis para a cena.
O consultor também cita a participação de atores em oficinas de comunicação de más notícias, para a condução sensível de temas delicados. Essa prática facilita o realismo sem perder a humanidade da situação.
Verossimilhança com potencial didático
A verossimilhança ajuda o público a compreender rotinas hospitalares, mesmo em recortes da narrativa. Profissionais de saúde opinam sobre cenografia e direção de arte para aproximar o cenário da realidade.
Segundo Gerson, séries que retratam o SUS e a atenção primária ajudam a ilustrar condições reais do atendimento público. Ele destaca o valor humano das cenas sobre nascimento, diagnóstico ou cura, sem foco exclusivo na doença.
Interface entre saúde e narrativa
Gerson afirma que seu interesse é contar histórias tanto quanto cuidar de pacientes. Ele já colaborou com projetos para streaming, como filmes da Netflix, mantendo o eixo entre medicina e saúde pública.
A atuação como consultor surgiu após participação em projetos menores e cursos de roteiro. Mesmo na prática clínica, ele vê a relação entre medicina e narrativa como uma “vida dupla” que aproxima o público da realidade do hospital.
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