- Na audiência no Senado, Galípolo afirmou que não há conluio ou ortodoxia que justifique juros altos no Brasil, destacando a gestão atual do Banco Central.
- A inflação superou o teto em quatro dos últimos seis anos, sugerindo que a política monetária não foi mais rígida do que o necessário.
- As metas do IPCA variaram, indo de 4% com tolerância de 1,5 ponto percentual em 2020 a 3% mais 1,5 ponto no cenário atual.
- A explicação mais óbvia para os juros elevados é a expansão do gasto público, que aumenta a demanda e gera déficits que elevam a exigência de juros pelo mercado.
- Outros fatores incluem crédito com taxas favorecidas para habitação, agropecuária e indústria, indexação de preços e a necessidade de manter a confiança na autonomia do Banco Central.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apresentou nesta terça-feira argumentos para sustentar que as altas taxas de juros no Brasil não são resultado de ortodoxias nem de conluio com o mercado. Em audiência no Senado, ele questionou as teses que associam os juros a falhas institucionais.
Segundo ele, o BC tem mantido políticas compatíveis com a meta de inflação, mesmo em um cenário de juros historicamente elevados frente a pares. Galípolo ressaltou que a inflação saiu do teto em quatro dos últimos seis anos, o que, na visão dele, não configura excesso de rigidez da política monetária.
Ele também destacou que o IPCA tem tolerância para oscilações, com metas que variaram de 4% com margem de 1,5 ponto em 2020 a 3% mais 1,5 ponto atualmente. O objetivo, segundo o presidente, é evitar descontrole que prejudique o poder de compra, especialmente dos mais pobres.
Galípolo enumerou choques de oferta que impactaram o cenário global e nacional, como a pandemia, tarifas e conflitos internacionais. A leitura do BC é de que houve espaço para flexibilidade, para não pressionar ainda mais a atividade econômica durante crises.
A explicação considerada mais provável por ele envolve o aumento do gasto público no fim do governo anterior e no atual, que elevou a demanda além da capacidade de oferta. O resultado, na leitura do BC, é inflação pressionada e necessidade de financiamento pelo mercado a taxas maiores.
Também foram apontados fatores adicionais que ajudam a explicar o cenário: crédito incentivado a setores com juros diferenciados, como habitação e agroindústria, além de alta integração de indexação de preços na economia. Esses elementos reduzem a eficácia da política monetária.
Por fim, Galípolo sinalizou que manter a confiança na autonomia do BC é essencial para evitar retrocessos. Ele afirmou que ataques políticos aos juros geram temores de mudanças que dificultam a guarda da inflação, o que pode comprometer a credibilidade institucional.
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