- Em 2024, Nepal contabilizou 355 tigers (Panthera tigris tigris), quase triplicando a população desde 2010, quando havia 121 animais.
- O Terai Arc Landscape, núcleo da conservação, soma mais tigres e pessoas, aumentando as interações humano‑tigre e a pressão por desenvolvimento.
- Em fevereiro, o Terai Arc Landscape foi reconhecido pela ONU (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura como World Restoration Flagship, parte da Década de Restauração de Ecossistemas.
- Desafios incluem aspirações por melhores estradas e conectividade, conflitos entre humanos e wildlife e impactos das mudanças climáticas, agravados pela expansão de infraestrutura sem adequadas passagens para animais.
- Casos recentes envolvem a comunidade de Madi, em Chitwan, com restrições de autoridades, um ataque de búfala a um tigre em agosto e preocupações sobre impactos da cana‑de‑açúcar na coexistência com felinos.
Nepal registrou em 2024 um avanço expressivo na população de tigres selvagens, passando de 121 em 2010 para 355 indivíduos da espécie Panthera tigris tigris. A expansão acompanha o compromisso da década de 2010 de dobrar o número de tigres nos países de distribuição.
O aumento ocorreu no contexto do Terai Arc Landscape, uma área-chave onde a aproximação entre fauna e comunidades locais se intensifica. Especialistas destacam que a redução da malária e a migração de moradores rurais para as planícies férteis ajudaram a moldar esse cenário de coexistência, porém ampliaram desafios de conservação.
Reconhecimento internacional
Em fevereiro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura reconheceram o Terai Arc Landscape como uma das sete World Restoration Flagships, dentro da iniciativa da ONU para a restauração de ecossistemas (2021-2030). A cerimônia destacou o impacto das ações de restauração, mas apontou dificuldades para sustentar os resultados.
Desafios de convivência
Em junho, moradores da região relataram dificuldades decorrentes da presença de tigres na área de Chitwan, o principal polo de conservação do país. A vila de Madi, habitada por povos Tharu, Bote e Darai, fica próxima a vias de dispersão para outras zonas. Limites legais e restrições de acesso afetam a vida diária e os planos de desenvolvimento local.
Em agosto, um caso inusitado chamou a atenção: um búfalo doméstico amarrado matou um tigre no vilarejo Pratappur, revelando mais uma vez o conflito entre pessoas e felinos. O dono do búfalo informou que o animal ficou ferido e não recebeu compensação, pois, segundo diretrizes, apenas animais mortos recebem indenização.
Infraestrutura e território de trânsito de fauna
Também em agosto, a expansão de 115 km da Rodovia Leste-Oeste, que atravessa habitats críticos de tigres, ganhou foco. A obra prevê o aumento de pistas de dois para quatro, com a inclusão de estruturas para travessias de animais em alguns trechos. Em áreas cruciais, porém, estruturas de passagem foram descartadas por restrições orçamentárias, elevando preocupações com colisões e fragmentação de habitat.
A obra, executada por um consórcio com participação chinesa e financiada pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, já sofreu atrasos. Autoridades locais afirmam que a adição de mais travessias poderia atrasar ainda mais o cronograma.
Expansão agrícola e novos riscos
A queda de bilhete de conflitos também aparece no aumento da plantação de cana-de-açúcar nas áreas de tigres. Dados oficiais indicam crescimento da área cultivada de 7 mil para 62,5 mil hectares entre 1961 e 2022, concentrados no Terai. Pesquisadores sugerem que canaviais podem atrair tigres, especialmente indivíduos mais fracos, elevando o risco de encontros com gente.
Recursos de subsistência e manejo comunitário
Relatos sobre a coleta de plantas silvestres, como ferns, destacam que comunidades próximas aos parques nacionais dependem desse recurso para a subsistência. A prática envolve riscos, com relatos de fatalidades associadas a ataques de tigres durante a coleta. Especialistas recomendam planos de manejo florestal comunitário que promovam coleta em grupo e métodos mais seguros.
As ações de conservação em Nepal seguem obrigadas a equilibrar o crescimento humano com a proteção dos tigres. A narrativa recente mostra avanços na população de felinos, porém também enumera questões de infraestrutura, convivência, políticas públicas e uso do território que demandam planejamento cuidadoso para manter a tendência de recuperação sem comprometer a segurança das comunidades.
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