- O novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, propõe taxar imóveis de luxo e altas rendas para equilibrar as contas da cidade.
- Proposta inclui taxação de imóveis de luxo acima de US$ cinco milhões para quem tem segundo imóvel não residindo no local e cobrança de taxas sobre renda anual superior a US$ um milhão (+ US$ vinte mil) e acima de US$ dez milhões (+ US$ duzentos mil).
- Mamdani divulgou medidas iniciais: abertura de duas mil vagas em creches para crianças a partir de dois anos e fechamento de buracos nas vias; acordo de recebimento de US$ 1,5 bilhão do estado e criação de cargo de fiscalização das contas municipais.
- A prefeitura afirma que o orçamento é superior a US$ 120 bilhões e que o déficit está sob controle, mas a cidade enfrenta pobreza elevada e dificuldades financeiras para muitos moradores.
- Analista Lourival Sant’Anna ressalta que as propostas marcam avanço à esquerda no Partido Democrata e podem desestimular investimento privado, ressaltando a necessidade de apoio do setor privado para viabilizar soluções.
O novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, propõe taxar imóveis de luxo e altas rendas para equilibrar as contas da cidade. Empossado no início de 2026, ele define-se como socialista-democrata e é o primeiro muçulmano a comandar a cidade. Tem 34 anos e é filho de indianos. A gestão enfrenta ceticismo de parte da população, mas ganhou apoio entre setores progressistas.
Durante os primeiros cinco meses de mandato, Mamdani anunciou a abertura de 2 mil vagas em creches para crianças a partir de dois anos, com objetivo de universalizar o atendimento até o fim do ano. O prefeito participou do fechamento de um grande buraco de vias, ação celebrada nas redes sociais. Também fechou acordo de US$ 1,5 bilhão com o estado e criou um cargo de fiscalização das contas municipais para reduzir desperdícios.
Desafios sociais persistem. Segundo a prefeitura, um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza e 62% têm dificuldade para pagar as contas mensais. Entre 2000 e 2020, cerca de 200 mil moradores negros deixaram a cidade por dificuldades econômicas, acomodando deslocamentos de mais de uma hora para trabalhadores como bombeiros, professores e enfermeiros.
A taxação que gerou polêmica
Entre as medidas, a taxação de imóveis de luxo ganhou maior repercussão. O plano inclui tributação de second homes avaliadas acima de US$ 5 milhões, mesmo sem uso residencial, conhecido como pied-à-terre. O caso envolvendo o bilionário Ken Griffin atraiu atenção ao ser citado durante a apresentação da proposta. Griffin reagiu, defendendo seu peso fiscal e declarando planos de transferir um projeto de expansão de sede para Miami.
Além disso, Mamdani propôs cobrança de taxa sobre altas rendas: quem ganha acima de US$ 1 milhão por ano pagaria US$ 20 mil; quem recebe acima de US$ 10 milhões pagaria US$ 200 mil. O orçamento municipal indicado supera US$ 120 bilhões, com afirmação de que o déficit está sob controle.
Análise e perspectivas
Analista de Internacional da CNN comenta o tema no programa CNN Prime Time. A avaliação aponta que a ascensão de Mamdani sinaliza um deslocamento do Partido Democrata para a esquerda, em meio a um cenário onde o centro poderia conquistar votos. A reforma econômica é vista como controversa para o ambiente de negócios e investimentos na cidade.
A análise destaca que, para avançar, é essencial manter o impulso de construção e habitação, com participação do setor privado. Medidas de intervenção fiscal podem reduzir incentivos à iniciativa privada, segundo o comentarista, que afirma a necessidade de apoio empresarial para soluções duradouras.
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