- O Banco Central projeta queda de 2,7 bilhões de dólares nas exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2025, puxada pela redução de volumes, com maior impacto no Sudeste e no Sul.
- As exportações para os EUA caíram de 40,4 bilhões de dólares em 2024 para 37,7 bilhões em 2025, equivalentes a 0,1% do PIB e 0,8% das exportações.
- Entre os estados, as maiores quedas ocorreram no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, com Espírito Santo registrando a retração mais expressiva em relação ao seu PIB.
- A decomposição aponta recuo de 6,7% no valor das exportações, sendo 5,6% pela redução de volume e 1,2% pela queda de preços.
- O BC ressalta que parte das vendas pode ter sido redirecionada a outros mercados; para 2026, o cenário pode mudar por decisões judiciais sobre tarifas e novas tarifas dos Estados Unidos.
O impacto da elevação das tarifas dos Estados Unidos em 2025 foi maior nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, com o período de agosto a novembro concentrando o recuo. O Banco Central aponta que a queda se deu em valor e em volume, reforçada pela redução de exportações para os EUA.
Segundo o BC, as exportações brasileiras para os EUA caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, uma retração de US$ 2,7 bilhões. O resultado representa 0,1% do PIB e 0,8% das exportações totais do país.
Impacto por região
No Sudeste, as exportações para os EUA passaram de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões, queda de 1,0% das exportações regionais. No Sul, o recuo foi de 1,5%, com saídas de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões. O Centro-Oeste manteve volumes estáveis, enquanto Norte e Nordeste registraram leve alta.
Entre os estados, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná sofreram as maiores quedas. O Rio caiu de US$ 7,4 bilhões para US$ 6,6 bilhões, MG de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,3 bilhões, e o Paraná de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão. O Espírito Santo teve retração de 0,55% do seu PIB.
Composição da variação
A decomposição mostra queda de 6,7% no valor total das exportações para os EUA entre 2024 e 2025, impulsionada pela redução de volumes (-5,6%), com queda menor de preços (-1,2%). O padrão é compatível com o choque tarifário, que tende a afetar principalmente quantidades embarcadas.
No Sudeste, a baixa de volumes foi de 4,4%; no Sul, 14,5%. Em Minas Gerais, a retração do café pesou, embora o preço elevado da commodity tenha amenizado parte do impacto. Em São Paulo, a queda envolveu bens industrializados e semimanufaturados. No Rio de Janeiro, mesmo sem tarifas sobre petróleo, houve queda nas exportações de combustíveis, possivelmente ligada à incerteza regulatória.
Conclusões do BC e perspectivas
O BC conclui que o efeito principal ocorreu pela diminuição de volumes, o que confirma a natureza de um choque tarifário. Parte das exportações pode ter sido redirecionada a outros mercados, pois as exportações totais do Brasil cresceram no período.
A autoridade destaca que o impacto regional foi relevante para estados e setores específicos. O comunicado observa que, apesar do recuo agregado, existem sinais de ajustes no comércio externo brasileiro e redirecionamento de fluxos.
Olhando para 2026
Para o próximo ano, o BC aponta incertezas, como decisões judiciais que afetam tarifas, novas tarifas dos EUA em resposta e investigações comerciais em curso. A autoridade ressalta que esses fatores podem alterar o cenário de comércio externo brasileiro.
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