- Baja California Sur recebeu US$ 783,3 milhões em investimentos turísticos entre janeiro e setembro do ano anterior, com o terceiro trimestre de 2024 respondendo por mais da metade do investimento nacional no setor.
- Ambientalistas e moradores afirmam que os projetos costumam burlar regras ambientais, ameaçam o modo de vida local e prejudicam áreas protegidas, especialmente em Balandra.
- O megaprojeto Kuni, que previa hotéis em 1.600 hectares na área de Balandra, foi retirado do processo de avaliação ambiental em 2024, encerrando a proposta.
- Outros empreendimentos, como La Abundancia e Baja Bay Club próximos a Cabo Pulmo, também são alvo de críticas por impactos potenciais em ecossistemas, praias e dunas.
- Comunidades de Cabo Pulmo e de Todos Santos relatam impactos na pesca, no turismo sustentável e em serviços públicos, e reiteram a disposição de resistir e contestar legalmente novos projetos.
O estado mexicano de Baja California Sur atraiu um fluxo recorde de investimentos no turismo entre janeiro e setembro do ano passado, com a terceira posição de 2024 concentrando boa parte desses recursos. Governos e investidores buscam reproduzir o sucesso de destinos como Los Cabos e Cabo San Lucas.
Entretanto, moradores e organizações de conservação alertam para impactos ambientais e mudanças no modo de vida local. Eles dizem que muitos projetos contornam normas ambientais e pressionam ecossistemas protegidos, especialmente em áreas de grande sensibilidade costeira.
O desfecho do megaprojeto Kuni
Em 2024, ambientalistas pressionaram contra o megaprojeto Kuni, que previa 1.600 hectares de hotéis na Área de Proteção Ambiental de Balandra, perto de La Paz. Relatos apontam consumo de água elevado e possível descarga de salmoura, uma vez que o projeto demandaria grandes volumes hídricos e desalinização.
A consulta pública solicitada pela CEMDA e a intervenção da Semarnat foram discutidas como medidas para avaliar o impacto real. Em conclusão, os proponentes retiraram a análise de impacto ambiental ao fim de 2024, interrompendo o megaprojeto.
Outros planos na mira de comunidades
Além de Balandra, há hotéis em desenvolvimento próximo a Cabo Pulmo, no Golfo da California, e em Todo Santos. Criticamente, projetos preveem áreas extensas de praias, dunas, campos de golfe e centros comerciais, o que geraria pressões sobre 262 espécies de plantas e 30 de aves não contempladas na avaliação inicial.
Cabo Pulmo, parque nacional de grande importância ecológica, já foi considerado exemplo de conservação de recifes. Moradores, porém, relatam aumento de visitantes e mudanças no uso do território, questionando a sustentabilidade econômica do modelo de turismo ecológico.
Reação de moradores e avanços legais
O advogado e ativista John Moreno Rutowski, que atua na região, ressalta o desafio de enfrentar múltiplos empreendimentos menores, que costumam passar despercebidos diante de grandes obras. Para ele, a soma desses projetos pode piorar serviços como água, coleta de lixo e energia.
Em Todos Santos, há anos moradores combatem o projeto Tres Santos, que acabou suspenso judicialmente. Embora haja novos planos para a região, as ações legais e protestos devem prosseguir para manter o ritmo de fiscalização e participação comunitária.
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