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Fed diverge sobre efeito da guerra na inflação, diz Alves

Ata do Fomc mostra Fed dividido sobre o impacto inflacionário da guerra no Oriente Médio, com divergências sobre o viés de afrouxamento e o rumo da política monetária

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  • A ata do Fomc mostra divergência entre diretores do Fed sobre o impacto da guerra no Oriente Médio na inflação dos EUA e sobre a necessidade de cortes de juros.
  • Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que o documento sugere um Fed dividido, com incertezas sobre efeitos inflacionários da guerra nos próximos meses.
  • A ata refere-se a decisão de abril, anterior à divulgação recente de CPI e PPI que vieram acima das expectativas.
  • Houve debate sobre manter ou remover o chamado “easing bias” (viés de afrouxamento), com três diretores votando pela retirada desse viés.
  • Em relação à inteligência artificial, a curto prazo a IA tende a ser inflacionária, mas no longo prazo pode gerar ganhos de produtividade e efeito deflacionário.

O Fed sinalizou divergência entre seus diretores sobre o rumo da política monetária diante da inflação e da incerteza causada pela guerra. A ata do Fomc, divulgada nesta quarta-feira, detalha o posicionamento interno do órgão. O documento refere-se a decisões tomadas em abril, anteriores aos últimos dados de inflação.

Segundo avaliação de Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o texto aponta um Fed dividido e com incertezas sobre o impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio nos meses seguintes. Os números de inflação divulgados recentemente vieram acima das expectativas.

A ata indica que alguns diretores defendem abandonar o viés de afrouxamento monetário, abrindo espaço para aumentos de juros. Três diretores com direito a voto — Hammack, Kashkari e Logan — teriam divergir ao questionar esse viés.

Impactos da guerra no cenário inflacionário

Casos do petróleo aparecem como variável central. Will Castro Alves destaca que o conflito eleva o preço do petróleo, com efeito não imediato, levando de três a seis meses para se materializar na economia. Estima-se que cada alta de 10% no petróleo acrescente cerca de 0,1 ponto percentual ao CPI.

O petróleo já acumula alta superior a 50%, elevando o potencial de pressão inflacionária adicional. Analistas veem o efeito como um componente relevante para as próximas leituras de inflação, ainda que com defasagens temporais.

Inteligência artificial e a inflação no longo prazo

A ata também aborda os impactos da IA. No curto prazo, a tecnologia tende a pressionar preços pela demanda de chips, energia e investimentos em data centers. A longo prazo, porém, a tendência histórica é de ganhos de produtividade e efeitos deflacionários.

Sobre as perspectivas para as próximas reuniões, o analista afirma que não é provável manter o viés de cortes. Embora não haja expectativa de mudança na taxa na próxima decisão, a ata seguinte pode indicar maior abertura para eventual alta.

Avaliando o cenário, o especialista aponta que a inflação ainda acima da meta, combinada com a resistência da economia, reduz o espaço para cortes de juros. A leitura reforça a cautela com a trajetória monetária diante de choques externos.

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