- Estudo da Universidade de São Paulo com 19 jovens sedentários mostrou que combinar musculação com treino aeróbico não atrapalha o ganho de massa muscular.
- Os participantes foram acompanhados por 16 semanas; dois grupos fizeram musculação duas vezes por semana, e um deles realizou HIIT quatro vezes por semana.
- O ganho de massa muscular foi equivalente nos dois grupos; porém o grupo com treino combinado teve ganho de força levemente menor.
- A diferença de força é atribuída a fatores neuromusculares, como fadiga na comunicação entre cérebro e músculo, e não à síntese proteica.
- A pesquisa foi publicada no Journal of Applied Physiology e contou com apoio da FAPESP.
A Universidade de São Paulo (USP) realizou uma pesquisa com 19 jovens sedentários para testar o impacto da combinação entre treino de força e cardio no ganho de músculo. O estudo durou 16 semanas e teve divulgação no Journal of Applied Physiology. Os participantes tinham média de 28 anos.
Conduzida por pesquisadores da EEFE-USP, a investigação comparou dois grupos: um apenas com musculação. O outro realizou musculação mais HIIT, com sessões rápidas de corrida na esteira e períodos de descanso. A ideia era verificar se o treino aeróbico interfere na hipertrofia muscular.
Os resultados mostraram que o ganho de massa muscular foi semelhante nos dois grupos, contrariando a crença de interferência. Contudo, o grupo com treino combinado teve ganho de força levemente menor, indicando um efeito neuromuscular.
Metodologia
Os voluntários sedentários foram divididos em dois conjuntos. O primeiro realizou musculação duas vezes por semana, por quatro meses, com foco em leg press e extensão de pernas, em 2 a 3 séries de 12 repetições.
O segundo grupo manteve as mesmas sessões de musculação e acrescentou quatro treinos de HIIT por semana, com tiros de corrida em esteira e intervalos longos. A avaliação incluiu biópsias do músculo vasto lateral em diferentes semanas.
Resultados e interpretações
A equivalência no ganho de massa muscular entre os grupos foi acompanhada de menor aumento de força no treino combinado. Pesquisadores atribuem a diferença a fatores neuromusculares, não à síntese proteica. A fadiga neuromuscular pode reduzir a capacidade de recrutamento de fibras durante esforço máximo.
O estudo contou com apoio da FAPESP, por meio de projetos vinculados à área de treinamento concorrente. Além disso, os pesquisadores destacam que a combinação de treino aeróbico e força é fundamental para a saúde, especialmente na melhoria da função cardíaca e da queima de calorias.
O artigo completo está disponível na revista científica e foi conduzido com acompanhamento molecular, incluindo monitoramento da síntese de proteínas musculares ao longo do período. O resultado reforça que o treinamento conjunto pode ser adotado sem comprometer o ganho muscular.
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