- Agrishow 2026 mostra a tendência de uso de biocombustíveis em máquinas agrícolas, buscando eficiência, custo e menor impacto ambiental.
- AGCO Power apresentou o primeiro motor a etanol para tratores, desenvolvido no Brasil, com lançamento previsto para 2028 e potencial de redução de emissões de até noventa por cento.
- Bosch mostrou kit que permite substituir até sessenta por cento do diesel por etanol em motores originalmente a combustíveis fósseis, sem perda de desempenho.
- Valtra apresentou um trator movido a biometano, com comercialização prevista para Agrishow de 2027, usando biomassa de cana e milho para energia.
- Fendt exibiu motor compatível com diesel verde HVO100, oferecendo uso imediato com menor emissão de carbono e abertura para futuras fontes como etanol, biometano e hidrogênio verde.
O que acontece: a Agrishow 2026 revela avanços de biocombustíveis em máquinas agrícolas. Etanol, biometano e diesel verde aparecem como opções viáveis para motores, com foco em eficiência, custos e menor impacto ambiental. A tendência já era anunciada na abertura da feira.
Quem está envolvido: fabricantes como AGCO Power, John Deere, Valtra e Fendt apresentam novidades. Instituições e produtores acompanham, avaliando o uso de etanol, biometano e combustíveis renováveis em linha de montagem, com testes em campo.
Quando e onde: a apresentação ocorreu durante a Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto, SP. Os lançamentos e protótipos foram expostos nos estandes dos fabricantes, com demonstrações de operação no local.
Por que isso acontece: tensões geopolíticas no Oriente Médio elevam preços de combustíveis fósseis. O Brasil depende de importações de diesel e busca reduzir custos, aumentar previsibilidade e fortalecer a cadeia de biocombustíveis nacional.
Etanol
O primeiro motor a etanol para tratores, desenvolvido pela AGCO Power, foi apresentado no evento. O projeto, 100% nacional, está em preparação para o mercado em 2028 após três anos de estudo e mais de 10 mil horas de teste.
Segundo Fernando Silva, da AGCO, o motor tem potência entre 200 e 300 cv e mantém desempenho similar ao diesel, sem queda de torque. A tecnologia admite etanol de várias matérias-primas, como cana, trigo e milho.
A vantagem ambiental é significativa: o etanol pode reduzir até 90% das emissões de gases de efeito estufa. O custo operacional tende a ficar mais previsível para produtores que geram etanol na fazenda, reduzindo importações.
A John Deere também investe em etanol. O conceito foi apresentado na Agrishow de 2023 e, desde então, vem sendo adaptado ao Brasil no Centro de P&D de Indaiatuba. Em 2026, o sistema apareceu em uma plantadeira conectada a um trator da linha 8R.
Transição tecnológica
A Bosch mostrou uma tecnologia que permite misturar diesel e etanol em motores originalmente a combustão fóssil. Segundo Matheus Pintor, é possível substituir até 60% do diesel por etanol com desempenho mantido. Em campos de teste, seis usinas já operam com o modelo até o fim da safra.
Biometano
A Valtra mostrou um trator com motor a biometano, combustível renovável derivado de biogás. A biomassa de cana-de-açúcar e milho pode abastecer veículos nas lavouras de usinas, fomentando um ciclo de reaproveitamento.
A previsão é de disponibilizar a máquina para venda na Agrishow de 2027. O biometano reduz a dependência de combustíveis fósseis, mantendo desempenho compatível com o uso agrícola.
Diesel verde
A Fendt apresentou motor preparado para HVO100, o diesel verde. A compatibilidade permite reduzir emissões imediatas com combustíveis renováveis em equipamentos já existentes, ampliando opções energéticas no campo.
O motor, em desenvolvimento desde 2012, pode adaptar-se a etanol, biometano e hidrogênio verde. A proposta também reduz a vibração e facilita o giro, premiando a engenharia de propulsão.
Contexto econômico e estratégico
O avanço é visto como resposta ao custo crescente do diesel e às metas de sustentabilidade do setor. Tecnologias que unem produtividade e emissões menores ganham espaço, com créditos de carbono como incentivo adicional, segundo especialistas da Bosch.
Os organizadores destacam a posição do Brasil, pela tradição em biocombustíveis, como fator decisivo para liderar esse movimento de transição energética no campo.
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