- Duas baleias-jubartes estabeleceram um recorde, viajando mais de 14 mil quilômetros entre os mares do Brasil e da Austrália, conforme estudo publicado na Royal Society Open Science.
- Pesquisadores reconstruíram as jornadas analisando 19.283 fotos coletadas entre 1984 e 2005, usando um algoritmo de reconhecimento de imagem para identificar dois cetáceos em duas áreas de reprodução distintas.
- A primeira baleia foi fotografada pela primeira vez em 2007 na baía de Hervey, Queensland, reaparecendo em 2013 no mesmo local e, em 2019, em Ilhabela, no estado de São Paulo; as áreas estão cerca de 14,2 mil quilômetros em linha reta.
- A segunda baleia foi vista pela primeira vez em 2003 perto de Abrolhos, Bahia, e, décadas depois, em 2025, na baía de Hervey, a 15,1 mil quilômetros de distância.
- O recorde anterior de distância para a espécie era de 13.046 quilômetros, entre a costa pacífica da Colômbia e Zanzibar, no Oceano Índico, e pesquisadores discutem possíveis explicações para desvios raros das rotas migratórias, como mudanças oceânicas, perturbações nas áreas de origem e disponibilidade de alimento.
Duas baleias-jubartes quebraram um récorde ao percorrer mais de 14 mil quilômetros entre o Brasil e a Austrália. O trajeto foi reconstruído a partir de fotografias coletadas ao longo de décadas e registrado em um artigo publicado nesta quarta-feira na Royal Society Open Science.
A pesquisa envolveu a Pacific Whale Foundation e colegas que analisaram 19.283 imagens entre 1984 e 2005. Cada jubarte possui um padrão único na face inferior da cauda, permitindo identificar indivíduos ao longo do tempo.
Conforme o estudo, a primeira baleia foi fotografada pela primeira vez em 2007 na costa leste da Austrália e reapareceu em 2013, em seguida em Ilhabela, no estado de São Paulo, em 2019. A segunda baleia teve registro inicial em Abrolhos, na Bahia, em 2003, e apareceu em Hervey, na Austrália, em 2025.
Como foram comprovadas as jornadas
Os pesquisadores usaram um algoritmo de reconhecimento de imagem para cruzar as fotos. A partir das correspondências visuais, identificaram dois cetáceos presentes nas duas regiões, confirmando a travessia oceânica entre continentes.
Detalhes e hipóteses sobre o comportamento
O recorde anterior, de 13.046 quilômetros, envolveu rota entre a costa pacífica da Colômbia e Zanzibar. A sazonalidade das jubartes no hemisfério Sul favorece rotas estáveis, mas desvios existem. Mudanças oceânicas, perturbações locais e disponibilidade de alimento podem influenciar esses deslocamentos.
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