- O Grupo Estrela protocolou recuperação judicial na Justiça de Minas Gerais nesta quarta-feira (20), afirmando não conseguir pagar dívidas de R$ 109 milhões e buscando proteção contra credores.
- O processo permite que a empresa apresente um plano de reestruturação; até a apresentação, as dívidas não podem ser executadas, e, se aprovado, o grupo continua operando sob condições renegociadas; se não, pode haver falência.
- A crise começou em 1993, com queda de cerca de 50% no faturamento após a abertura comercial do governo Collor, levando a grande redução de empregados de mais de dez mil para cerca de 1.500.
- A Estrela acumula passivos fiscais, incluído acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para quitar R$ 747,8 milhões em dívidas originárias dos anos 1990, com tentativas de refino por programas especiais ao longo de décadas.
- A petição aponta que a transformação digital dos hábitos de consumo e o aumento de custos tornam o cenário atual ainda mais desafiador, ainda que a empresa descreva a crise como conjuntural e transitória e mantenha que a viabilidade é evidente.
Nos últimos dias, a fabricante de brinquedos Estrela protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de Minas Gerais. A medida visa proteção contra credores e tempo para apresentar um plano de reestruturação, diante de um acervo de dívidas que soma cerca de 109 milhões de reais. O objetivo é manter operação enquanto se negocia condições renegociadas.
Segundo os autos, o processo envolve a evolução de um endividamento que se acumulou ao longo de décadas, com destaque para obrigações fiscais. Em setembro de 2025, a empresa já havia fechado acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para quitar 747,8 milhões em dívidas provenientes dos anos 1990. A tentativa é conter impactos que podem levar à falência caso o plano não seja aprovado.
A crise da Estrela é ligada a mudanças no comportamento do consumo infantil, que passou a privilegiar telas, jogos online e serviços digitais. A petição aponta que, para recorrer a lançamentos, licenciamento e parcerias com influenciadores, a empresa precisou investir pesado em desenvolvimento e marketing, em um momento de margens reduzidas pela concorrência externa e pelo custo financeiro elevado.
Além da diversificação de produtos, a Estrela criou a linha Estrela Beauty, lançou a Editora Estrela Cultural e abriu lojas oficiais em marketplaces. Também apostou no público kidult com relançamentos de itens clássicos, como Falcon, Pogobol e Autorama Ayrton Senna. Entretanto, tais estratégias não asseguraram a recuperação desejada.
A petição destaca ainda que a taxa Selic contribui para a piora do caixa, ao agravar o desequilíbrio entre custos distribuídos ao longo do ano e receitas concentradas em datas sazonais, como Dia das Crianças e Natal. O documento afirma que o ambiente de crédito caro intensifica esse problema estrutural.
Para o futuro, a Estrela afirma que a empresa permanece com cerca de 500 empregos diretos, podendo chegar a mil com a temporada de Natal. A defesa descreve a crise como conjuntural e transitória, sustentando a viabilidade do negócio. Caso credores não achem compatível essa leitura, a recuperação pode caminhar para a falência.
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