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Linus Torvalds admite relação de amor e ódio com a IA

Linus Torvalds vê IA como arma de dois gumes para programadores, aumentando commits e desafio social, sem substituir desenvolvedores

Linus Torvalds and Dirk Hohndel at Open Source Summit North America 2026
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  • Linus Torvalds disse ter uma relação de amor e ódio com a IA, reconhecendo seu valor técnico, mas apontando dores no processo de desenvolvimento.
  • Em entrevista no Open Source Summit North America, ele afirmou que a IA está aumentando as contribuições ao kernel, com cerca de vinte por cento mais commits nos lançamentos recentes.
  • O criador do Linux ressaltou que a IA não substitui programadores; o impacto é social e envolve mudanças na forma de trabalhar.
  • Torvalds criou diretrizes de divulgação de segurança relacionadas à IA, orientando tornar público achados de falhas quando encontrados com IA, sem expor exploits.
  • Ele destacou que a manutenção de projetos depende mais de pessoas do que apenas de código, e que a IA é uma ferramenta de apoio, não a substituição do conhecimento humano.

Linus Torvalds, criador do Linux, comentou sobre o papel da inteligência artificial no desenvolvimento de software durante o Open Source Summit North America, promovido pela Linux Foundation. Em tom técnico, ele disse que a IA é uma ferramenta poderosa, mas não substitui os programadores. O evento ocorreu em 2026, reúne especialistas em código aberto e reuniu a comunidade de kernel e parceiros, incluindo Dirk Hohndel.

O relato destaca que a IA tem impulsionado o volume de contribuições ao kernel, ao mesmo tempo em que traz novos desafios sociais e de segurança na comunidade de código aberto. Torvalds afirmou que a evolução recente das ferramentas de IA elevou o número de commits nas últimas versões do kernel, com impactos variados para equipes de manutenção e colaboradores iniciantes.

Segundo o relato, a maior parte do impacto é social: mudanças na forma de trabalhar, necessidade de lidar com fluxos de trabalho diferentes e maior pressão sobre comunidades já sobrecarregadas. A rápida adoção de ferramentas de IA gerou aumento de relatos de bugs e de mensagens no kernel security mailing list, exigindo novas formas de triagem e coordenação entre mantenedores.

Para enfrentar esses efeitos, Torvalds apresentou diretrizes de divulgação de falhas de segurança envolvendo IA. A orientação é considerar qualquer vulnerabilidade descoberta com IA como de divulgação pública rápida, evitando a publicação de exploits funcionais para não ampliar riscos. O objetivo é equilibrar transparência com responsabilidade na divulgação.

Torvalds lembrou que fechar o código não é solução e defendeu o software aberto, mesmo diante de riscos de IA. Ele citou que o uso de IA pode ampliar a detecção de falhas, inclusive em sistemas proprietários, e reforçou a importância de uma cultura aberta para facilitar correções e melhorias contínuas.

No debate, Dirk Hohndel criticou a prática de divulgar falhas sem coordenação adequada entre fabricantes e mantenedores. Ele citou casos de vulnerabilidades divulgadas rapidamente com identificação de marcas e domínios antes de contatar os responsáveis, defendendo uma postura mais responsável na comunicação de problemas.

Entre pontos positivos, Torvalds destacou que a IA pode reduzir barreiras de entrada para contribuidores, ao mesmo tempo em que ressalta a necessidade de educação contínua. A visão é de que a IA acelera a detecção de bugs e a correção, mas requer compreensão profunda do funcionamento dos sistemas mantidos.

Em relação ao futuro, Torvalds argumentou que a IA é uma ferramenta de aumento da produtividade, não a essência da programação. Ele comparou o papel da IA ao dos compiladores ao longo da história, sugerindo que desenvolvedores precisarão entender tanto o código quanto o resultado final gerado pela IA para manter projetos complexos a longo prazo.

Ao encerrar o diálogo, o organizador enfatizou que soluções para gerenciar a complexidade de infraestruturas dependem de comunidade, código aberto e ferramentas modernas, com a IA atuando como mais uma camada de suporte, sem substituir a avaliação humana.

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