- Kelly Cristina Oliveira dos Santos, 49 anos, tornou‑se cuidadora de alunos com deficiência na rede estadual de Guarulhos, em São Paulo, influenciada pelo diagnóstico do filho Noah.
- Noah, oito anos, tem autismo não verbal, TDAH e déficit de atenção; o diagnóstico levou a mãe a buscar entender melhor o autismo.
- A convivência na escola mudou a percepção de Kelly sobre o filho, mostrando que certos comportamentos podem ser formas de expressão do autismo.
- Ela incentiva a autonomia de Noah com pequenas tarefas diárias e celebra cada avanço, como ele ter buscado o próprio prato ou dito “batata frita”.
- Kelly trabalha na Conviva Serviços, que atende mais de dez mil alunos com deficiência; a equipe é formada majoritariamente por mulheres, muitas mães, contribuindo para a inclusão.
Kelly Cristina Oliveira dos Santos, 49, levou o diagnóstico de autismo do filho Noah para além de casa: tornou-se cuidadora de alunos com deficiência na rede pública de Guarulhos, SP. O trabalho na rede estadual abriu espaço para que ela entendesse melhor o autismo do próprio filho.
Noah, 8 anos, tem autismo não verbal, TDAH e déficit de atenção. Ao acompanhar adolescentes autistas na escola, Kelly aprendeu a interpretar sinais e comportamentos que antes pareciam difíceis de decifrar. A experiência mudou a forma como ela encara o filho.
Essa trajetória começou após o diagnóstico de Noah e a busca por respostas. A cuidadora passou a observar situações diárias e enxergou que o que parece birra pode representar desconforto de uma pessoa com autismo. Essa compreensão abriu caminho para maior autonomia do menino.
Como recursos para promover a independência, Kelly foca em tarefas simples do dia a dia, celebra avanços e mantém paciência e firmeza. A escuta ativa e o respeito pelo tempo da criança também pautam a atuação.
Entre os avanços, Noah conseguiu buscar o próprio prato e, em outra ocasião, disse batata frita. Moments assim são valorizados pela cuidadora como marcos importantes, que fortalecem a confiança de ambos.
A atuação de Kelly faz parte da Conviva Serviços, que atende mais de 10 mil alunos com deficiência em escolas públicas paulistas. A equipe é formada majoritariamente por mulheres, em 97% dos casos, muitas delas mães.
A diretora-presidente Maíra Pizzo diz que esse perfil é relevante porque traz sensibilidade para a função de cuidadora, essencial para a inclusão em atividades como alimentação, locomoção e higiene. O trabalho envolve impacto que vai além da sala de aula.
Para Maíra, o cuidado também transforma a dinâmica familiar, fortalecendo vínculos e ajudando mães de outras crianças com deficiência. Kelly vê o que faz como uma extensão do que aprende com Noah: cada dia traz uma nova vitória no autismo.
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