- A Estrela pediu recuperação judicial na Justiça de Minas Gerais por dívidas de R$ 109,1 milhões, abrangendo oito empresas, com o objetivo de manter cerca de 500 empregos diretos.
- A crise é resultado de fatores econômicos e mudanças de mercado ao longo de décadas, incluindo concorrência de importados asiáticos e queda de demanda devido a novos hábitos de consumo.
- Juros elevados e o crescimento de marketplaces pressionaram o caixa da empresa, que depende de antecipar desembolsos ao longo do ano para faturar em datas específicas; a taxa básica atualmente está em 14,5%.
- O controle da Estrela está com o empresário Carlos Tilkian, que detém 94,7% das ações ordinárias (31,5% do capital total).
- Nos nove primeiros meses de 2025, a Estrela registrou lucro de R$ 170,2 milhões e receita de R$ 108,7 milhões; há assembleia marcada para 9 de junho para aprovar contas de 2025 e ratificar o pedido de recuperação judicial.
A Estrela pediu recuperação judicial à Justiça de Minas Gerais, envolvendo oito componentes da fabricante de brinquedos. A medida visa preservar cerca de 500 empregos diretos e a continuidade das operações diante de uma dívida total de R$ 109,1 milhões.
Fundada em 1937 por Siegfried Adler, a empresa tem hoje o controle da família Tilkian, que detém 94,7% das ações ordinárias, isto é, 31,5% do capital total. Carlos Tilkian adquiriu a participação da família em 1996. A crise não é causada por um problema único, mas por fatores econômicos acumulados ao longo de décadas.
A decisão ocorreu em meio a uma conjuntura de mercado que se agudizou desde o início dos anos 1990, com a abertura comercial e a concorrência de importados asiáticos de baixo custo. A empresa aponta ainda mudanças nos hábitos de consumo infantil, impulsionadas pelo entretenimento digital e pelos jogos eletrônicos.
Contexto da crise
Segundo a Estrela, práticas irregulares como contrabando e a expansão de plataformas internacionais de comércio eletrônico pressionam suas margens. A companhia também cita impactos de juros elevados, que elevam o custo de capital de giro e afetam pagamentos de produção e insumos ao longo do ano.
Essa situação se agravou com a manutenção de a taxa básica de juros em patamar elevado, citando 14,5%. A empresa afirma que esse ambiente encarece sua dívida e complica o equilíbrio entre caixa e produção.
Para tentar a recuperação, a empresa anunciou que pretende aprovar o plano de reestruturação e manter seu legado no mercado brasileiro. O pedido foi apresentado com a intenção de proteger operações enquanto o processo avança.
A Estrela informou que, no âmbito do processo, solicita à Justiça a suspensão de medidas como corte de serviços básicos por débitos anteriores ao pedido e a rejeição de vencimentos antecipados de dívidas por bancos e instituições financeiras.
A assembleia para eleição de contas de 2025 e ratificação do pedido de recuperação está marcada para 9 de junho. A escolha do foro em Minas Gerais decorre de um precedente de falência de credor na comarca de Três Pontas.
O Valor entrou em contato com a assessoria da Estrela e com o controlador, sem obter retorno até a publicação. As informações oficiais foram divulgadas pela imprensa especializada.
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