- Uma semana após o The Intercept Brasil publicá-lo, há versões divergentes entre filhos de Jair Bolsonaro e produtores de Dark Horse sobre quem financiou a produção e qual foi o papel de Daniel Vorcaro.
- O deputado Mario Frias declarou que não recebeu financiamento do banqueiro, mas, nesta segunda-feira, afirmou à SBT News que não está arrependido de ter recebido apoio de Vorcaro, após áudio em que agradece ao dinheiro ter sido divulgado pelo The Intercept.
- Flávio Bolsonaro confirmou que visitou a casa de Vorcaro após a prisão dele, em novembro de 2025, em meio a relatos sobre o repasse de recursos para o filme e disse que o encontro tinha o objetivo de esclarecer a situação.
- Eduardo Bolsonaro disse ter cedido apenas os direitos de uso de imagem no começo, mas depois reconheceu ter assinado contrato para gerir as finanças do projeto, após divulgação de documentos pelo The Intercept.
- A produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme, afirma que Vorcaro atuou como intermediário de verba, não investidor, enquanto o longametragem já consumiu cerca de US$ 13 milhões; Flávio sustenta autonomia de financiamento de Vorcaro, citado em conversas de bastidores.
O filme Dark Horse, retrato de Jair Bolsonaro, acumula divergências entre a família do ex-presidente e os produtores sobre quem financiou a produção e qual foi o papel de Daniel Vorcaro, magnata preso, na realização do projeto. A informação foi repercutida após reportagem do The Intercept Brasil apontar aportes milionários atribuídos ao banqueiro.
Segundo a reportagem, membros da família Bolsonaro apresentaram versões distintas sobre o financiamento. O deputado Mario Frias, produtor executivo e roteirista, inicialmente negou qualquer uso de recursos de Vorcaro, mas acabou reconhecendo, em entrevista à SBT News, que recebeu apoio financeiro do banqueiro, ainda que sem admitir arrependimento. O áudio que circula, divulgado pelo The Intercept, seria de dezembro de 2024.
A gravação citada pelo The Intercept mostra Frias agradecendo ao investidor e sinalizando a intenção de mobilizar apoio financeiro para o filme, o que mudou a leitura sobre o papel de Vorcaro na produção. A publicação também aponta encontro entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, ocorrido pouco antes desse áudio.
Papel de Vorcaro e versões conflitantes
Flávio Bolsonaro confirmou ter ido à casa de Vorcaro após a prisão do banqueiro, em novembro de 2025, quando utilizava tornozeleira eletrônica. O objetivo, segundo o senador, era esclarecer a situação e indicar a possibilidade de buscar outras fontes de financiamento para o filme, caso fosse necessário.
Mario Frias afirmou, em rede social, que não se arrepende da relação com Vorcaro, comparando a situação com investimentos de outras empresas. Em seguida, disse estar pronto para apresentar prestação de contas sobre o projeto e afirmou que o filme está pronto para exibição, dependendo de eventual censura.
Eduardo Bolsonaro também revelou contradições, inicialmente afirmando não ter atuado nos bastidores além de ceder direitos de imagem, e depois admitindo ter assinado contrato para gestão financeira da produção. Essas mudanças vieram após novas informações publicadas pelo The Intercept.
Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp Entertainment, negou aporte direto de Vorcaro nos bastidores e explicou que o banqueiro atuaria como intermediador de recursos. Ela informou que o filme já consumiu cerca de US$ 13 milhões (aproximadamente R$ 65,7 milhões) e que o orçamento foi movido por diferentes fontes, sem confirmação de investimento direto do banco Master.
Entre na conversa da comunidade