- Em 2025, o mundo registrou pelo menos 2.707 execuções após condenação à morte, aumento de 78% em relação a 2024 e maior registro desde 1981; China não incluída, pois não divulga dados.
- O Irã foi responsável por cerca de 2.159 execuções, ~80% do total global, o que representa o maior nível em décadas.
- A Arábia Saudita realizou ao menos 356 execuções, número recorde anterior, com muitas ligadas a crimes de drogas.
- Os Estados Unidos executaram 47 pessoas, maior contingente desde 2009; a Flórida respondeu por 19 dessas execuções.
- Apesar dos números, há avanços rumo à abolição: 113 países aboliram a pena de morte até o fim de 2025; reformas ocorreram no Vietnã, Gâmbia, Libéria e Nigéria, entre outros.
O número global de execuções atingiu o maior nível em mais de 40 anos em 2025, segundo a Anistia Internacional. Ao menos 2.707 pessoas foram executadas após condenação, um aumento de 78% frente a 2024. O registro não inclui a China, que não divulga dados oficiais.
A organização aponta que o país asiático continua liderando as execuções, mas os números reais são desconhecidos. Além da China, governos de poucos países passaram a usar a pena de morte de forma mais intensa para manter o controle político e reprimir dissidência, segundo a ONG.
Principais dados do relatório
A Anistia compilou informações de fontes oficiais, decisões judiciais, famílias, imprensa e organizações da sociedade civil. Em 2025, 2.707 execuções foram registradas globalmente, excluindo aChina, com 2.159 delas no Irã. A entidade aponta que 54 países mantêm a pena de morte, e houve 2.334 novas sentenças no ano.
Segundo o estudo, 25.508 pessoas estavam sob sentença de morte no fim de 2025 e apenas 17 países realizaram execuções. Entre os métodos usados estavam decapitação, enforcamento, injeção letal, fuzilamento e asfixia por gás nitrogênio. Em muitos locais, há lacunas na publicação de dados.
Irã e Arábia Saudita
O Irã respondeu por cerca de 80% do total global, com ao menos 2.159 execuções. O aumento representa o nível mais alto do país em décadas e ocorreu mesmo após tensões regionais. A organização ressalta que o uso da pena de morte é aplicado para impor medo e punir opositores.
A Arábia Saudita também registrou alta, com pelo menos 356 execuções, muitas ligadas a crimes de drogas, superando o recorde anterior de 345 em 2024. O país é o segundo maior executor entre as nações que informam números, segundo o relatório.
Estados Unidos e América
Nos Estados Unidos, houve 47 execuções em 2025, o maior total desde 2009. A Flórida respondeu por 19 casos, quase a metade do total do país. Os EUA aparecem como o único país americano a realizar execuções em 2025, enquanto o total de pessoas no corredor da morte caiu devido a comutações e mortes naturais.
Progresso rumo à abolição
Apesar dos números elevados, a Anistia aponta sinais de avanço rumo à abolição. Ao fim de 2025, 113 países haviam abolido integralmente a pena de morte, frente a 16 em 1977. Reformas incluíram a abolição de crimes específicos no Vietnã e medidas em Gâmbia, Libéria e Nigéria para restringir o uso.
Governos e tribunais também atuaram para impedir expansões da pena de morte. Em Quirguistão, decisão constitucional freou a reintrodução; no Zimbábue, todas as sentenças existentes foram comutadas. O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que justiça requires instituições responsáveis sem recorrer a execuções.
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