- Em 2025, dois terços dos frequentadores de academias passaram a usar IA em atividades físicas, com apps como Strava oferecendo novos recursos.
- especialistas dizem que treinos gerados por IA costumam carecer de informações obtidas em avaliações físicas e de contexto individual, o que pode não atender às necessidades de cada pessoa.
- as consequências incluem menor chance de atingir objetivos e maior risco de lesões; em alguns casos, dados excessivos podem ser usados de forma inadequada pelos chatbots, como no exemplo de um maratonista que viu um treino não condizente com o seu recorde pessoal.
- a IA também pode estimular quem não tem conhecimento ou recursos, beneficiando iniciantes que precisam de orientação para começar.
- recomenda-se fornecer ao sistema o máximo de dados sobre o perfil (gênero, idade, objetivo, condição física, tempo disponível) e, sempre que possível, combinar treinos de IA com orientação profissional.
Seja usado como treino seja por meio de assistentes virtuais, o uso de Inteligência Artificial na indicação de cronogramas de exercícios tem gerado debate entre especialistas. A controvérsia gira em torno da capacidade das IA em substituir avaliações físicas presenciais e a personalização necessária para cada objetivo. Pesquisas indicam que, até 2025, uma parcela significativa de frequentadores de academia passou a recorrer a essas ferramentas, inclusive por meio de apps como Strava.
Entre os que questionam a eficácia dessas recomendações está o treinador Chris Doenlen, que atua na Anthropic, empresa desenvolvedora do Claude. Em entrevista ao The New York Times, ele aponta que os cronogramas gerados por IA costumam ser adequados apenas para iniciantes, dada a ausência de informações coletadas durante avaliações físicas. A referência a conhecimentos contextuais e pistas não verbais fica limitada quando a análise depende unicamente de dados disponíveis no sistema.
Especialistas destacam ainda que, para atletas, o excesso de dados pode ser mal utilizado por assistentes virtuais. O maratonista e treinador Jon Mott relatou ao jornal norte-americano um caso em que um treino baseado em seu recorde de duas horas e 17 minutos ficou aquém do desempenho real que o atleta reconhece ser capaz de alcançar. Em síntese, os treinos de IA podem falhar ao considerar nuances individuais.
Riscos dos treinos feitos por IA
Para quem não tem acesso imediato a profissionais, a IA pode servir como estímulo para manter a prática regular. Em contrapartida, a recomendação é evitar depender exclusivamente dessas plataformas. A ausência de avaliação física e de contexto individual pode comprometer a adesão a objetivos e aumentar o risco de lesões.
A orientação é fornecer o maior volume de informações possível sobre o perfil, como idade, gênero, tempo disponível e metas. Além disso, é fundamental reconhecer que os resultados entregues pela IA refletem o que é solicitado, não havendo garantia de ajuste às necessidades reais do praticante. A recomendação prática é combinar o uso de IA com orientação profissional sempre que possível.
Uso com atenção
Especialistas sugerem que a IA pode favorecer a adoção de estilos de vida mais ativos para iniciantes, desde que haja acompanhamento. O principal cuidado é monitorar a qualidade dos dados inseridos e evitar confiar cegamente nos planos gerados. Em síntese, a ferramenta deve ser vista como complemento, não substituto, de avaliações e orientações de profissionais de educação física.
Entre na conversa da comunidade