- Cerca de uma dúzia de pessoas, incluindo membros dos Elders, participam de uma simulação na sede da Organização Mundial da Saúde, perto de Nairóbi, para entender como a África se prepara para pandemias.
- Em Chad, profissionais de saúde relatam mortes por falência respiratória; teste inicial aponta para uma nova variante da gripe aviária, mas a confirmação depende de laboratório no exterior; o governo do Chad hesita em notificar a OMS.
- O objetivo do exercício é entender como assegurar notificação dentro de 24 horas e quais garantias de apoio internacional são necessárias para cumprir a obrigação.
- O grupo discute incentivos para governos agirem e modelos de verificação, buscando fortalecer sistemas para evitar punições e pressões indevidas.
- A simulação ocorre em meio a outros focos de preocupação, como surto de hantavírus e anúncio recente de Ebola, ressaltando a importância da cooperação multilateral e da confiança entre países.
Na base da Organização Mundial da Saúde, perto de Nairobi, cerca de uma dúzia de pessoas participou de uma simulação de pandemia. A iniciativa reuniu membros dos Elders, grupo de ex-líderes mundiais, com representantes da OMS para avaliar respostas a crises de saúde futuras.
A reunião ocorreu na última quinta-feira. O cenário apresentado envolve Chad, onde relatos apontam falência respiratória com possível variante de gripe aviária. A confirmação depende de envio de amostras a um laboratório externo, e há hesitação governamental em notificar a OMS por temores econômicos e de estigma.
O objetivo da atividade é entender como África se prepara para emergências sanitárias, reforçar a preparação e incentivar respostas mais rápidas. A simulação também discute como a IA pode apoiar decisões em crises de saúde, com a participação de especialistas da OMS.
Participantes e debates
Entre os presentes estavam Ernesto Zedillo, ex-presidente do México, que defende incentivos para governos agirem corretamente. Ele questiona o que a comunidade internacional fará para reconhecer a conformidade dos países na notificação.
Zeid bin Ra’ad bin Zeid al-Hussein, ex-alto Comissionado da ONU para Direitos Humanos, sugere olhar para sistemas mais fortes de verificação e levar os demais a igualarem esse padrão. A ideia é elevar a capacidade de resposta global.
Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidenta da Libéria, aponta que a dificuldade central decorre de sistemas de saúde frágeis nos países reportantes, que não conseguem identificar nem reportar pandemias de forma adequada. Ela ressalta limitações estruturais como entraves à responsabilização.
Dr. Mohamed Janabi, diretor regional da OMS para a África, destaca que a simulação oferece uma visão da linha de frente no continente, que teve 146 surtos de doenças no ano anterior. O exercício explora como reduzir atrasos na notificação e na cooperação internacional.
Denis Mukwege, laureado com o Nobel, enfatiza a importância do multilateralismo e de agir rapidamente diante de surtos. Segundo ele, a cooperação entre países é essencial para conter doenças que podem cruzar fronteiras.
Cenários adicionais e contexto
Antes da sessão, houve uma apresentação da OMS sobre apoio a países africanos na preparação, detecção e resposta a emergências de saúde. Também foi apresentada uma nova plataforma de IA para apoiar decisões sobre ameaças sanitárias.
O debate ocorre no contexto de outros alertas de saídas de risco: o hantavírus em circulação e a confirmação de um surto de Ebola na África, com casos reportados na Uganda e na República Democrática do Congo e mais de 139 mortes até o momento. Essas situações destacam a pressão por mecanismos de cooperação.
A discussão também aborda a morosidade na conclusão de um possível tratado global sobre pandemias, apresentado durante a Covid-19. A falta de acordo entre países ricos e pobres reforça desconfianças históricas sobre o compartilhamento de informações e de recursos-chave, como vacinas e tratamentos.
Desdobramentos da simulação
Durante o exercício, os Elders recebem outro cenário: Chad notificou a OMS apenas duas semanas após o início do agravamento, quando já havia casos no norte do Camboja e enchentes graves que interromperam rotas de transporte. A pergunta é como preparar melhor a OMS e parceiros para crises de saúde ligadas também a riscos climáticos.
Denis Mukwege comenta que a prática evidencia a necessidade de resposta coordenada e de prontidão das instituições. Ele reforça a importância de que os países estejam preparados para agir em conjunto quando a doença ultrapassar fronteiras.
Ao final, o diálogo ressalta a urgência de fortalecer sistemas de vigilância, comunicação rápida entre governos e organismos internacionais, e a adoção de soluções tecnológicas que melhorem a tomada de decisão em cenários complexos.
Entre na conversa da comunidade