- Estudo piloto no Reino Unido testou o tocilizumabe, medicamento que bloqueia a IL-6, em depressão resistente ao tratamento tradicional.
- Participaram 30 adultos com depressão moderada a grave e marcador inflamatório elevado (PCR ultrassensível) que receberam uma infusão única ou placebo, com acompanhamento de quatro semanas.
- Os resultados mostraram melhoria ao longo do tempo no grupo ativo, com efeitos especialmente perceptíveis em sintomas físicos, como fadiga e ansiedade.
- Ao fim de 28 dias, remissão ocorreu em 53,9% dos tratados versus 31,3% do grupo placebo; resposta clínica significativa foi de 46,2% versus 18,8%.
- As pesquisadoras destacam que os dados sugerem um subtipo inflamatório da depressão e a IL-6 como possível alvo terapêutico, mas ressaltam que são necessários mais testes e que o uso do fármaco deve ser hospitalar e monitorado.
A pesquisa britânica avaliou a hipótese de que a depressão resistente possa estar ligada a inflamação do organismo. Em um ensaio piloto, pesquisadores testaram o tocilizumabe, medicamento que bloqueia a IL-6, em pacientes com depressão moderada a grave. O estudo envolve Bristol e Cambridge, e foi publicado na Jama Psychiatry. Participaram 30 adultos com histórico de resposta insatisfatória a antidepressivos e marcador inflamatório elevado.
Os voluntários receberam uma infusão única do medicamento ou de placebo, com acompanhamento de quatro semanas. O objetivo foi observar se a supressão da IL-6 reduziria sintomas depressivos, especialmente sinais físicos como fadiga, sono irregular, apetite e energia. A pesquisa também mediu proteína C reativa ultrassensível como indicador de inflamação.
Resultados indicam tendência de melhora no grupo que recebeu o tocilizumabe, especialmente em sintomas físicos. Ao final de 28 dias, 53,9% apresentaram remissão, frente a 31,3% no grupo controle. A resposta clínica significativa ocorreu em 46,2% versus 18,8%, respectivamente, sugerindo efeito positivo em parte dos pacientes.
Os autores destacam que o estudo é pequeno, mas aponta uma possível via terapêutica para depressão associada à inflamação. A hipótese inflamatória já mostrava relação entre citocinas e humor, com sinais de inflamação elevando o risco de depressão. A pesquisa reforça a ideia de subtipos biológicos da doença.
Especialistas brasileiros ressaltam que o tratamento anti-inflamatório poderia beneficiar pacientes com depressão de perfil físico intenso, especialmente aqueles com baixa resposta a antidepressivos tradicionais. O perfil favorecido seria de indivíduos com fadiga persistente e alterações cognitivas, com marcadores inflamatórios elevados.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam que ainda não há confirmação de eficácia clínica ampla. Ainda são necessários mais testes, com maior amostra e desenho robusto, antes de recomendar o uso do tocilizumabe nesses casos. O uso fora de monitoramento médico é desaconselhado.
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